Papa x Trump: relembre como comentários sobre guerra escalaram para tensão

Pontífice responde que continuará a se manifestar contra a guerra e não tem medo do governo Trump após críticas do presidente

Catherine Nicholls, da CNN
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Na noite de domingo (12), Donald Trump fez uma longa publicação nas redes sociais criticando diretamente o papa Leão XIV.

O presidente começou o texto afirmando que o pontífice "é fraco no combate ao crime e péssimo em política externa".

Em outro trecho da publicação, Trump diz que "não quer" um papa que "ache normal o Irã ter armas nucleares". O líder da Igreja Católica já falou contra a guerra no Irã anteriormente, pedindo pela paz e pelo fim da violência.

Após as críticas de Donald Trump, o papa afirmou à agência de notícias Reuters que vai continuar se manifestando contra a guerra e que não quer "entrar em debate" com o líder americano.

"Não acho que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada da maneira como algumas pessoas estão fazendo", destacou o pontífice.

"Continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas", disse ele, falando em inglês.

Entenda como os comentários chegaram a críticas diretas

Menos de 24 horas após os EUA e Israel iniciarem os ataques ao Irã em 28 de fevereiro, o pontífice pediu o fim da “espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”. Ele repetiu esse apelo ao longo do conflito.

No dia 7 de abril, Trump publicou nas redes sociais que “uma civilização inteira morreria” a menos que Teerã cumprisse seu prazo para reabrir o Estreito de Ormuz ainda naquele dia.

O papa Leão XIII classificou a ameaça como “verdadeiramente inaceitável” ao falar com jornalistas algumas horas após a publicação do líder americano.

No domingo (12), Trump publicou uma longa crítica ao papa no Truth Social. “Não quero um Papa que critique o Presidente dos Estados Unidos”, escreveu Trump. Ele também disse a repórteres que “não é fã do papa Leão”.

No mesmo dia, Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial retratando-o como Jesus, vestindo túnicas brancas e vermelhas e composta no estilo da arte religiosa.

Ontem, o pontífice disse à CNN que não tem "nenhum medo do governo Trump" e prometeu "continuar com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje".

Questionado se devia um pedido de desculpas ao líder a Igreja Católica após seus comentários, Trump disse ontem: “Não, não devo, porque o papa Leão XIII disse coisas erradas. Ele era muito contra o que estou fazendo em relação ao Irã, e não podemos ter um Irã nuclear.”

O presidente também apagou ontem a imagem de si mesmo como Jesus do Truth Social, dizendo a repórteres que pensava que a imagem o retratava como médico.

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