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    Papel intermediador impôs ao Brasil posicionamento firme contra Venezuela, avaliam diplomatas

    Postura diverge da adotada nas eleições na Rússia, quando Lula enviou apenas uma carta protocolar para parabenizar Putin pela reeleição

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente do Brasil, se reúne com Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
    Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente do Brasil, se reúne com Nicolás Maduro, presidente da Venezuela Ricardo Stuckert / PR

    Gabriela Pradoda CNN

    A diferença da postura do Itamaraty em relação ao processo eleitoral da Venezuela e da Rússia passa pelo papel intermediador adotado pelo Brasil sobre a situação do país comandado por Nicolás Maduro.

    A avaliação é de integrantes do Itamaraty ouvidos pela CNN sob a condição de sigilo.

    O Brasil participou ativamente da negociação pelo acordo de Barbados, firmado no ano passado, e que impôs condições para a realização de eleições presidenciais em 2024.

    Já no caso da Russia, o país apenas observou a situação. Por isso, o gesto foi apenas uma carta do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parabenizando o russo pelas eleições.

    O documento padrão é considerado um gesto de retribuição do brasileiro a Putin, que enviou congratulações após a vitória do petista em 2022.

    No caso da Venezuela, a nota foi divulgada pelo Itamaraty porque o Brasil participou ativamente das negociações do Acordo de Barbados, firmado no ano passado. O documento estabelece que o governo venezuelano se comprometeria a fazer eleições em 2024 com a participação da oposição.

    Diante do fim do prazo para as inscrições para o período eleitoral e do impedimento da inscrição da oposição, a Nicolás Maduro, o Brasil avaliou que era preciso se posicionar.

    Na segunda-feira (25), Lula se reuniu com o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira para discutir a situação.

    O governo brasileiro aguardou o fim das inscrições para evitar pré-julgamentos e, na terça-feira (26), o Itamaraty divulgou uma nota afirmando que o impedimento da inscrição de Corina Yoris, candidata oposicionista, “não é compatível com o Acordo de Barbados”.

    A Venezuela rebateu o posicionamento brasileiro e divulgou que o país parece “intervencionista” e que o texto “parece ditado pelos Estados Unidos”.

    Depois da troca de farpas, a Embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira, conversou com integrantes do governo venezuelano sobre a situação. Segundo integrantes da diplomacia, o convite foi do governo venezuelano, porém, não foi à nível de chancelaria e não houve qualquer tipo de reprimenda ao Brasil.