Paraguai defende retorno da Venezuela ao Mercosul em discurso na ONU
Durante o regime Maduro, a Venezuela foi suspensa por tempo indeterminado como membro do Mercosul, que reúne algumas das maiores economias da América do Sul, incluindo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, pediu na quarta-feira (23) a reintegração da Venezuela ao Mercosul, bloco comercial sul-americano, em discurso a líderes mundiais na Assembleia Geral da ONU.
A Venezuela foi suspensa por tempo indeterminado como membro do Mercosul, grupo que engloba algumas das maiores economias da América do Sul, incluindo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, cujo país é membro associado do bloco, tem um encontro marcado com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, à margem da Assembleia Geral na quinta-feira (24).
Em seu discurso, Peña também afirmou que deseja ver a Venezuela passar por uma transição democrática genuína e duradoura.
"Queremos uma transição com instituições fortes, segurança, uma economia próspera e uma nação novamente integrada à comunidade internacional e, especificamente, integrada ao Mercosul."
Antes de chegar a Nova York para a Assembleia Geral, Pena visitou Caracas, reabrindo o diálogo entre os dois países, cujas relações diplomáticas haviam sido rompidas.
O Mercosul não prevê expulsão. Suspendeu a Venezuela em 2017 por descumprimento das normas do bloco e endureceu sua posição após a prisão de vários líderes da oposição durante o governo do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Reaproximação com Mercosul
O Paraguai já havia consultado o governo brasileiro sobre a possibilidade de convidar a Venezuela para participar da Cúpula do Mercosul, que aconteceu em junho em Assunção. O Palácio do Planalto deu sinal verde à sondagem, segundo fontes disseram à CNN Brasil.
Seria uma tentativa de reaproximar a Venezuela, presidida por Delcy Rodríguez desde a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, do bloco sul-americano. O governo paraguaio, comandado por Santiago Peña, é alinhado com a Casa Branca de Donald Trump.O Brasil avaliava que reaproximar a Venezuela do bloco seria positivo, a medida que contribuiria para a estabilidade política e econômica do país.
A Venezuela foi suspensa do Mercosul em 2016, por descumprir o Protocolo de Ushuaia. A regra estabelece que “toda ruptura da ordem democrática constitui obstáculo inaceitável para a integração”. Os chanceleres do Mercosul exigiam libertação dos presos políticos, restauração do Legislativo, retomada do calendário eleitoral, entre outras ações.
Fontes indicam que – apesar de Delcy manter a estrutura anterior no país caribenho – o aceno positivo da Casa Branca abre caminho para que o Mercosul discuta a reintegração.
Em janeiro de 2026, os Estados Unidos realizaram um ataque militar em larga escala na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro.
Delcy Rodríguez pediu encontro com Lula
O governo da Venezuela, comandado por Delcy Rodríguez, pediu uma reunião com representantes do governo Lula durante a semana de alto Nível da ONU. O presidente brasileiro, porém, deixou Nova York sem que um encontro se concretizasse.
A informação foi antecipada pelo UOL e confirmada à CNN por fontes do governo brasileiro, que afirmaram que a reunião não aconteceu por causa de uma incompatibilidade de agendas.
As fontes destacaram que não ficou claro se o pedido dos venezuelanos era para um encontro de Delcy com Lula ou para uma reunião entre os chanceleres.
Segundo integrantes do governo, o Brasil recebeu mais de 30 pedidos de reuniões bilaterais durante a Assembleia Geral da ONU. Mas Lula realizou apenas uma bilateral com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi.
As fontes explicam que o encontro com Orsi foi priorizado porque o Uruguai ocupa atualmente as presidências do Mercosul e da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos). Além disso, havia uma intenção do presidente Lula de conversar com Orsi sobre as cotas de exportação de carne.
*Com informações da Reuters


