Parlamento venezuelano acusa Maduro por garimpo ilegal na fronteira com Brasil

Presidente coordenaria retirada de 3 toneladas de ouro por mês, garantindo receita mensal de US$ 150 milhões para Caracas

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (12.mar.2020)
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (12.mar.2020) Foto: Manaure Quintero/Reuters

André Spigariol da CNN

em Brasília

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A Assembleia Nacional da Venezuela, presidida por Juan Guaidó, responsabilizou nesta terça-feira (28) o presidente Nicolás Maduro pela extração ilegal de ouro nos estados venezuelanos de Delta Amacuro, Bolívar e Amazonas – os dois últimos fazem fronteira com a Região Norte do Brasil. Uma resolução aprovada por unanimidade pelos deputados declarou como “ouro de sangue” todo o produto do garimpo no sul venezuelano. Os três estados compõem a Amazônia.

“O Parlamento responsabiliza Nicolás Maduro por todas as atividades ilícitas de exploração e contrabando de ouro e outros materiais pertencentes à República que foram desenvolvidos pela Companhia Militar Anônima das Indústrias de Mineração de Petróleo e Gás (CAMIMPEG) pelo Ministério da Defesa e as empresas ilegais de grupos criminosos e gangues organizadas e de guerrilha que tomaram ilegalmente áreas estratégicas de exploração mineral sob os auspícios e cumplicidade de seu regime destrutivo”, disse a Assembleia Nacional, em comunicado na tarde desta terça.

De acordo com o parlamentar Rachid Yasbek, da oposição, Maduro extrai cerca de três toneladas de ouro por mês, garantindo receita mensal de US$ 150 milhões a Caracas.

Segundo o Regime de Nicolás Maduro, o chamado Plano de Ouro, iniciado em 2018, “procura fortalecer reservas internacionais e finanças nacionais para o desenvolvimento da Pátria. Este programa promove a mineração legal e eco sustentável no Arco Mineiro do Orinoco”, na região da Amazônia.

Contrabando no Brasil

Em dezembro do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Hespérides, para desbaratar uma quadrilha que comercializou ilegalmente ao menos 1,2 tonelada de ouro entre 2017 e 2019. Em valores atuais, o montante corresponde a R$ 230 milhões.

O inquérito traz indícios de que a organização criminosa era composta por venezuelanos e brasileiros que, residindo em Roraima, compravam ilegalmente ouro extraído de garimpos da Venezuela e de garimpos clandestinos do estado.

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