Pequeno partido de esquerda surge como potencial aliado da AfD na Alemanha

BSW, classificado como extrema-esquerda, compartilha opiniões sobre imigração em massa e afirmou estar aberto ao diálogo

Susanne Neumayer-Remter, Christine Uyanik e James Mackenzie, da Reuters
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O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) poderá formar seu primeiro governo estadual com a ajuda de um pequeno partido de esquerda que compartilha sua hostilidade tanto à imigração em massa quanto aos esforços dos partidos tradicionais para excluir partidos mais radicais do poder.

A AfD ficou em primeiro lugar nas eleições estaduais de domingo (6) no estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país, mas não alcançou a maioria absoluta, conquistando 39 das 83 cadeiras na legislatura regional.

Enquanto os partidos tradicionais, incluindo os conservadores da CDU do chanceler Friedrich Merz, há muito se recusam a trabalhar com a AfD, em uma política conhecida como "firewall", o partido Aliança Sahra Wagenknecht (BSW, na sigla em alemão), classificado como extrema-esquerda, reafirmou sua disposição de ser decisivo após ultrapassar a cláusula de barreira de 5% para entrar no parlamento estadual da Saxônia-Anhalt.

"Desde o início, deixamos claro que conversaríamos com todos os partidos. O AfD faz parte disso", disse Thomas Schulze, principal candidato do partido BSW nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, à Reuters na segunda-feira.

Schulze afirmou que a recusa dos partidos tradicionais em trabalhar com o AfD é "antidemocrática". A agência de inteligência interna da Alemanha classificou o AfD como "extremista".

Quebrando o consenso na Alemanha

Além da hostilidade ao establishment político alemão e do conservadorismo social, os dois partidos compartilham uma série de prioridades, incluindo a aversão à imigração em massa – que, segundo o BSW, prejudica os direitos dos trabalhadores locais –, a desconfiança em relação à grande mídia e o desejo de encerrar o apoio financeiro e militar à Ucrânia e restabelecer os laços com a Rússia.

"Esperamos que agora haja maiorias no parlamento estadual de Magdeburgo a favor de uma mudança de rumo na política energética, do fim das sanções contra a Rússia, de uma melhor educação e de uma reforma fundamental da radiodifusão pública", disse a fundadora do partido, Sahra Wagenknecht, em comunicado.

"O BSW pretende usar essas maiorias para melhorar a vida das pessoas", afirmou.

O BSW foi fundado em 2024 por Wagenknecht e outros nove membros que se separaram do Die Linke (A Esquerda), o principal partido classificado como extrema-esquerda da Alemanha e herdeiro do antigo Partido Comunista da Alemanha Oriental.

Apesar da hostilidade ideológica, o BSW juntou-se, no final de 2024, a uma coligação com os conservadores de Merz e os social-democratas no estado vizinho da Turíngia, no leste da Alemanha.

Mas a situação lá se complicou depois de uma disputa sobre a cooperação com a CDU, que levou membros locais a se separarem do partido principal e formarem seu próprio grupo. A própria Wagenknecht defendeu a cooperação com a AfD.

O AfD também ficou em primeiro lugar nas eleições estaduais da Turíngia, mas não conseguiu a maioria e não conseguiu convencer outros partidos locais a se juntarem a ele em um governo de coalizão.

Na Saxônia-Anhalt, Siegmund, do AfD, disse no domingo à noite que o BSW "não faz parte da solução, mas sim do problema".

Por enquanto, no entanto, Schulze continua apoiando a extrema-direita na Saxônia-Anhalt.

"O AfD venceu as eleições, o Sr. Siegmund é o vencedor. É trabalho dele formar um governo", disse ele.