Pequim diz que EUA tratam China como ‘inimigo imaginário’

Em reunião entre diplomatas, o vice-ministro das Relações Exteriores da China, Xie Feng, afirmou que governo norte-americano quer demonizar o país

O líder comunista e presidente chinês Xi Jinping participa da celebração do 100º aniversário de fundação do Partido Comunista Chinês, em 1º de julho de 2021, em Pequim, China
O líder comunista e presidente chinês Xi Jinping participa da celebração do 100º aniversário de fundação do Partido Comunista Chinês, em 1º de julho de 2021, em Pequim, China Foto: Lintao Zhang/Getty Images

Steven Jiang e Steve George, CNN

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O colapso nas relações EUA-China se deve ao fato de algumas pessoas nos Estados Unidos tratarem a China como um “inimigo imaginário”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da China, Xie Feng, durante uma reunião com a vice-secretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, nesta segunda-feira (26), segundo declaração fornecida pelo Ministério das Relações Exteriores da China.

Sherman chegou à cidade de Tianjin neste domingo (25) para reuniões com Xie, e o conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, como parte do que seu gabinete descreveu como esforços contínuos dos EUA para manter intercâmbios francos com autoridades chinesas para “promover os interesses e valores dos EUA e de forma responsável gerenciar o relacionamento”.

A declaração do ministério chinês, que vem antes do encontro de Sherman com Wang, acusou os EUA de quererem reacender um “senso de propósito nacional” orquestrando uma campanha de “todo o governo e toda a sociedade” para demonizar e suprimir a China.

“Os EUA parecem exigir cooperação quando querem algo da China; desvinculando, cortando suprimentos, bloqueando ou sancionando a China quando acredita que tem vantagem; e recorrendo ao conflito e confronto a todo custo”, disse Xie, segundo o comunicado. 

Xie também foi citado como tendo dito que os EUA “não estavam em posição de pregar à China sobre democracia e direitos humanos”, apontando para o tratamento histórico dos EUA aos nativos americanos e à ação militar dos EUA.

O lado norte-americano ainda não divulgou um comunicado sobre a reunião.

As negociações acontecem mais de três meses após o confronto entre os países do Alasca, em março, durante o qual diplomatas de ambos os lados trocaram farpas publicamente.

Durante esta reunião, a primeira sob a administração do presidente dos EUA, Joe Biden, diplomatas chineses acusaram a delegação dos EUA de ser “condescendente” em seu tom, enquanto uma autoridade norte-americana disse que os representantes de Pequim pareciam “ter a intenção de se apresentar”.

Nos meses que se seguiram ao Alasca, os dois países continuaram a entrar em conflito em uma série de frentes, com o governo dos Estados Unidos sendo altamente crítico em relação às políticas da China em Hong Kong e Xinjiang. 

Na última sexta-feira (23), a China anunciou novas sanções contra sete funcionários dos EUA – incluindo o ex-secretário de Comércio Wilbur Ross – e entidades, em resposta às sanções dos EUA contra vários funcionários do governo de Hong Kong, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China.

Em declarações à CNN, Willy Lam, professor adjunto da Universidade Chinesa de Hong Kong e analista de longa data da política chinesa, afirma que a relação China-EUA está “em baixa”.

Conversas como as de Sherman e Wang visam, portanto, evitar que as relações adversas se agravem e se transformem em conflito direto, disse Lam. 

“Sherman disse que quer construir grades de proteção e parâmetros. Para que os conflitos possam ser tratados por meio de negociações e não por confronto direto e conflito”, disse Lam.

“Se as negociações correrem bem, pode haver a possibilidade de um encontro cara a cara entre o presidente Joe Biden e o presidente Xi Jinping na Cúpula do G20 na Itália em outubro”, disse Lam.

Joe Biden e Xi Jingping
Joe Biden, na época vice-presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China, em encontro diplomático em Pequim
Foto: Lintao Zhang/Getty Images – 4 dez. 2013

“No entanto, os chineses já rejeitaram reuniões entre o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, e o alto funcionário da Comissão Militar Central da China. Os chineses também foram indiferentes ao estabelecimento de uma linha direta. Então, se isso seria uma cúpula de alto nível entre Biden e Xi permanece a dúvida “, acrescentou Lam.

Falando antes de seu encontro com Sherman nesta segunda-feira, Wang Yi disse à emissora de Hong Kong, Phoenix TV, que “nenhum país é superior a outros”, e a China não aceitará que nenhum país assuma tal posição.

“Os Estados Unidos sempre pressionaram outros com suas pretensas qualidades de maneira condescendente, pensando que são superiores aos outros”, disse Wang neste sábado. 
“Mas quero dizer aos EUA que nunca existe um país superior aos outros, e não deveria haver um, e a China não aceitará nenhum país que se gabar de sua superioridade.”

Os comentários de Wang vêm em resposta a declarações de um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA durante uma coletiva de imprensa na última quarta-feira, quando disse que Sherman viajaria para a China “em uma posição de força”.

“Se os Estados Unidos não aprenderam a se dar bem com outros países em pé de igualdade até hoje, então é nossa responsabilidade, junto com a comunidade internacional, dar aos Estados Unidos uma boa lição a esse respeito”, acrescentou Wang.

(Este texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

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