Peru: Castillo se aproxima da vitória enquanto Keiko planeja contestar resultado

Candidato da esquerda ganhou amplo apoio da população rural pobre do país; ele está apenas 0,4% à frente de Keiko Fujimori, sua rival da direita

Reuters
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O socialista peruano Pedro Castillo mantém uma pequena vantagem nas eleições presidenciais em um país profundamente dividido desde o início da apuração dos votos. Com quase todos os votos processados nesta quarta-feira (9), embora com uma lacuna de apenas 70 mil, as cédulas contestadas ainda podem ser decisivas.

Castillo, filho de fazendeiros analfabetos que abalou a elite política do país andino e obteve grande apoio da população rural pobre, teve 50,2% com 99,8% dos votos processados – apenas 0,4% à frente do rival de direita Keiko Fujimori.

A contagem é, no entanto, preliminar porque cerca de 300 mil votos foram contestados, o que precisará ser examinado por um júri eleitoral. Esse processo, no entanto, levará vários dias para ser concluído.

Fujimori tem esperança de recuperar a vitória e uma autoridade de seu partido disse à uma rádio peruana que eles estavam se preparando com a ajuda de advogados para comprovar as alegações infundadas que ela havia feito alegando que partidários de Castillo tentaram roubar votos.

"Hoje estamos apresentando todas as evidências de irregularidades", disse Luis Galarreta, candidato a vice-presidente na chapa de Fujimori.

O partido de Castillo negou as acusações. Especialistas e observadores eleitorais internacionais afirmaram que a eleição do Peru foi realizada de forma limpa e dentro das regras.

Ainda assim, as alegações de Fujimori podem desencadear dias de confusão e tensão, em meio a um ciclo eleitoral polarizado que dividiu os peruanos, com cidadãos de alta renda apoiando a candidata de direita e os de baixa renda apoiando Castillo.

Nesta terça-feira, centenas de eleitores de ambos os lados se manifestaram em frente ao gabinete eleitoral do Peru contra a percepção de irregularidades no processo de contagem de votos.

'Uma das eleições mais disputados do país'

Fujimori havia diminuído a diferente de votos ligeiramente durante a noite desta terça-feira, quando quase todos os votos estrangeiros que favoreciam a candidata conservadora chegaram, embora não o suficiente para controlar a liderança de Castillo como ela esperava.

"É improvável que neste momento Fujimori ultrapasse Castillo", disse David Sulmont, professor de sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Peru e ex-chefe de unidade de votação.

"É uma das eleições mais apertadas do país", acrescentou. "A margem pode continuar variando, mas acho que Castillo será o vencedor."

Apoiadores de Pedro Castillo acompanham divulgação de resultados no Peru
Apoiadores de Pedro Castillo acompanham divulgação de resultados no Peru
Foto: Alessandro Cinque - 6.jun.2021/Reuters

Uma vitória de Castillo marcaria um grande avanço para a esquerda da América Latina em meio ao crescente descontentamento com a pobreza e a desigualdade que foi agravada pela pandemia Covid-19.

'Povo ganhou a luta', disse Castillo

Na noite de terça-feira, Castillo esteve perto de reivindicar a vitória. "Já temos a contagem oficial do partido, onde o povo ganhou esta luta", disse ele a seus partidários, referindo-se a uma contagem de votos não oficial realizada por seu partido, o Peru Livre.

Fujimori está na terceira tentativa de se tornar presidente, tendo sido vice-campeã nos últimos dois ciclos. Em 2016, ela perdeu por uma margem de 0,24 ponto percentual.

Castillo assustou os mercados com propostas para redistribuir a riqueza da mineração, reformular a constituição e aumentar os impostos sobre as mineradoras, uma fonte importante de receita para o país andino, embora ele tenha procurado moderar seu tom nos últimos dias.