Polícia indiana detém líderes do movimento das Baratas durante protesto
Manifestantes contestam revisão das listas de eleitores que, segundo críticos, favorece o partido do premiê Narendra Modi

Os principais líderes do movimento juvenil indiano “Barata” foram detidos nesta terça-feira (13) após ultrapassarem barricadas para entrar no terreno de um observatório histórico conhecido por receber protestos. Eles gritavam palavras de ordem exigindo a renúncia do chefe da Comissão Eleitoral devido a uma controversa revisão das listas de eleitores.
Apoiadores do Partido do Povo Barata (CJP, na sigla em inglês) e grupos de oposição realizaram protestos quase diários neste mês para exigir a renúncia do comissário Gyanesh Kumar, devido às revisões que, segundo críticos, favorecem o Partido do Povo Indiano (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi.
A Comissão Eleitoral negou favorecer qualquer partido e afirmou que eleitores excluídos por engano podem se cadastrar novamente. O BJP, por sua vez, acusou seus adversários de tentar enfraquecer a democracia ao questionar indevidamente processos eleitorais legítimos.
Milhares de pessoas participaram de uma marcha de protesto organizada por grupos de oposição na segunda-feira, após uma operação policial frustrar os planos do CJP de realizar uma manifestação no fim de semana. A polícia deteve milhares de manifestantes, incluindo líderes do movimento.
A Polícia de Déli anunciou na segunda-feira que o observatório a céu aberto Jantar Mantar, localizado no distrito comercial central da capital indiana, deixaria de ser considerado um local oficial para protestos. A corporação informou que três novos espaços foram designados para esse fim.
O CJP afirmou que seus líderes Ashutosh Ranka, Saurav Das e Ajinkya Shinde estavam entre cerca de 20 voluntários que entraram sorrateiramente no observatório para “reivindicá-lo” e foram detidos.
“Vocês não podem retirar o reconhecimento da resistência”, escreveu o fundador do movimento, Abhijeet Dipke, na rede social X após as detenções.
Maior desafio político para Modi
Uma transmissão ao vivo do CJP mostrou cerca de uma dúzia de voluntários pulando um portão e ultrapassando barricadas para chegar ao local, onde agitaram a bandeira indiana e entoaram palavras de ordem antes de serem detidos pela polícia.
A Polícia de Déli não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O movimento juvenil, que mobilizou protestos nos últimos meses contra questões que vão desde a infraestrutura das escolas públicas até a oferta de empregos, está entre os maiores desafios políticos enfrentados por Modi e seu BJP em seus 12 anos no poder.
Uma ocupação que durou várias semanas realizada por apoiadores do movimento no Jantar Mantar no início deste ano levou à renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, após o vazamento de provas de exames.
Os protestos mais recentes começaram depois que o jornal Indian Express informou, no mês passado, que dois auxiliares de Kumar haviam manifestado internamente diversas preocupações sobre as revisões das listas de eleitores, os procedimentos de registro e os sistemas digitais.
A mudança, iniciada no ano passado, retirou mais de 130 milhões de nomes das listas eleitorais — número superior à população do Japão. Entre os excluídos estão 28 milhões de pessoas que morreram, 63 milhões que se mudaram e 30 milhões que não puderam ser localizadas.
Partidos de oposição alegam que as exclusões afetam desproporcionalmente eleitores muçulmanos e outras minorias, que provavelmente não apoiariam o partido governista nacionalista hindu. A comissão eleitoral e o BJP rejeitam as acusações.

