Política externa dos Estados Unidos para a Ásia tem sido errática, diz professor

À CNN Rádio, Bruno Hendler afirmou que possível ida de Nancy Pelosi à revelia do governo Biden mostra que política externa norte-americana “é errática”

Amanda Garcia, da CNN
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Tanto China, quanto Estados Unidos tem escalado tensões nas disputas políticas, segundo o professor de relações internacionais da Universidade Federal de Santa Maria, Bruno Hendler.

No entanto, em entrevista à CNN Rádio, ele defendeu que a crise instalada devido à possibilidade da visita da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi a Taiwan, diz mais sobre a política externa norte-americana do que sobre a relação China-Taiwan.

De acordo com o professor, essa política externa dos EUA “tem se movido por conflitos estruturantes”, como na luta contra o imperialismo japonês, contra o nazismo e contra a expansão soviética para o Oeste.

“Desde o final da Guerra Fria, os Estados Unidos entraram em dois conflitos estruturantes: contra o fundamentalismo islâmico e a construção de consenso de que a China é o grande adversário a se conter.”

Para ele, a possível visita mostra “o quão errática é a política externa dos EUA para contenção da China e para a Ásia como um todo”, desde o governo Obama, passando por Trump e, agora, com o presidente Joe Biden.

“Certamente, o mais prudente seria Nancy Pelosi não ir, já que a visita funcionaria como gatilho para a escalada das tensões”, disse.

O professor afirma que há treinamentos militares na China e em Taiwan, que compra muitas armas dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o professor acredita que a China tem o tempo a seu favor, já que atua em três frentes para aumentar a influência sobre Taiwan.

“Há a ameaça do uso da força, a construção de identidade e símbolos comuns, já que têm história comum de luta anti-imperialista e a interdependência econômica."

Segundo Bruno Hendler, Taiwan tende a ser incorporada devido à “gradual incorporação econômica”, que envolve circulação livre de pessoas, mercadorias e serviços entre as nações.

*Com produção de Alessandra Ferreira