Porta-voz do Irã diz à mídia estatal que acordo com EUA não foi finalizado
Esmail Baghaei disse que grande parte do texto havia sido finalizada, mas "os americanos continuam mudando suas posições"

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, declarou à agência de notícias estatal iraniana IRNA nesta quinta-feira (11) que as notícias sobre um acordo finalizado com os EUA eram “mera especulação” e afirmou que Teerã ainda não havia tomado uma decisão final sobre qualquer acordo.
Baghai disse que o Catar e o Paquistão estavam “atuando como mediadores”, mas acrescentou que “as ações dos EUA estão afetando o processo diplomático”.
“Desde o início, o status das negociações estava claro para nós, e grande parte do texto já havia sido finalizada. No entanto, os americanos continuaram mudando suas posições”, disse Baghaei, segundo a IRNA.
Ele acrescentou que o Irã “provou que não abre mão daquilo que definiu como suas linhas vermelhas”.
“Até o momento, o Irã não chegou a uma decisão final sobre qualquer acordo”, concluiu.
Ele também afirmou que a situação no Estreito de Ormuz se tornou “menos segura devido às ações dos EUA”.
Declarações de Trump
Trump celebrou o que chamou de “grande acordo” que poderia encerrar a guerra com o Irã, indicando que o documento poderá ser assinado neste fim de semana.
Trump disse esperar uma cerimônia de assinatura do documento em breve, possivelmente na Europa, com a presença do vice-presidente americano, JD Vance.
“Os documentos estão praticamente finalizados, então vamos ver”, disse durante um evento no Salão Oval, nesta quinta-feira.
"O estreito será oficialmente aberto assim que assinarmos o acordo, o que pode acontecer em breve, muito em breve, talvez durante o fim de semana na Europa", afirmou.
“Isso deve ser concluído muito rapidamente”, acrescentou.
Quando questionado, Trump afirmou que acredita que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, concordou com o acordo.
O presidente americano também afirmou que havia acabado de conversar com vários líderes, incluindo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e chefes de Estado de países do Golfo.
Trump havia cancelado os ataques planejados contra o Irã para a noite desta quinta-feira, afirmando que os “pontos finais” de um acordo entre Estados Unidos e Irã teriam sido aprovados. Fontes disseram à CNN que os mediadores alcançaram alguns “avanços significativos” e estão cautelosamente otimistas após esforços de líderes regionais para resolver os principais impasses.
O recuo veio horas após Trump ameaçar atacar o Irã com "muita força" e sugerir que os EUA poderiam "tomar" a Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã.



