Premiê da Escócia promete referendo de independência após vitória eleitoral

Nicola Sturgeon diz que, passada a crise da Covid-19, dará ao povo de seu país a oportunidade de escolher sobre o próprio futuro em nova votação

Escoceses se manifestam em Glasgow a favor da independência do país
Escoceses se manifestam em Glasgow a favor da independência do país Foto: Jeff J Mitchell - 1.mai.2021/Getty Images

Schams Elwazer e Duarte Mendonca, da CNN

Ouvir notícia

O Partido Nacional Escocês (SNP, em inglês) prometeu realizar um segundo referendo sobre a independência depois que os resultados das eleições mostraram que os candidatos pró-independência conquistaram a maioria no parlamento do país.

Os resultados da votação de quinta-feira (6) colocaram a questão da independência da Escócia firmemente de volta à mesa e prepararam o terreno para um confronto com Londres.

Em seu discurso de vitória, a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, disse que o SNP – que quer se separar do Reino Unido – obteve uma vitória “histórica e extraordinária” após terminar com 64 cadeiras no parlamento escocês, uma a menos do que o necessário para obter a maioria.

Combinado com os 8 assentos conquistados pelos verdes escoceses, os partidos pró-independência agora controlam 72 das 129 vagas do parlamento. O partido conservador conquistou 31 assentos, os trabalhistas 22, e os liberais democratas 4.

Sturgeon disse que embora sua prioridade seja “conduzir a Escócia através da pandemia e manter as pessoas seguras”, seu partido ainda pretende pedir um segundo referendo sobre o fim da união de 300 anos do país com a Inglaterra.

Ela também advertiu que “qualquer político de Westminster” que tentar impedir um referendo não está “começando uma briga com o SNP, mas com os desejos democráticos do povo escocês”.

Os comentários foram dirigidos ao primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, cuja permissão é necessária para a realização de um referendo na Escócia. Até agora, ele recusou uma segunda votação, dizendo que o referendo de 2014 – no qual os escoceses votaram pela permanência no Reino Unido – foi um evento único em uma geração.

“Acho que um referendo no contexto atual é irresponsável e imprudente”, disse Johnson ao Daily Telegraph na sexta-feira (7).

Um dos ministros seniores do governo inglês evitou repetidamente responder neste domingo (9) perguntas de como o governo lidaria com um segundo referendo de independência.

Questionado na Sky News se o governo iria à Suprema Corte se o parlamento escocês aprovasse um projeto de lei para realizar um referendo, o ministro do Gabinete, Michael Gove, disse que não.

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon
A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, vota em eleição parlamentar
Foto: Jeff J Mitchell – 6.mai.2021/Getty Images

Johnson convidou Sturgeon para participar de uma cúpula de recuperação da Covid em todo a região e, em uma carta, disse que o Reino Unido era “mais bem servido quando todos trabalham juntos”.

“Teremos nossas próprias perspectivas e ideias – e nem sempre concordaremos – mas estou confiante de que, aprendendo uns com os outros, seremos capazes de reconstruir melhor, no interesse das pessoas que servimos”, escreveu o premiê britânico.

Desejo que permanece vivo

A perspectiva de um segundo referendo de independência está em jogo desde o referendo do Brexit de 2016, quando 62% na Escócia votaram pela permanência na União Europeia – em oposição ao resultado geral do Reino Unido.

Falando no The Andrew Marr Show da BBC neste domingo (9), Sturgeon insistiu que o apoio dos eleitores a seu partido – que conquistou a quarta vitória consecutiva – deu a ela um mandato claro para buscar um referendo.

“Nesta eleição, eles votaram esmagadoramente no SNP e mantivemos um compromisso manifesto de, em primeiro lugar… continuar a conduzir o país através da pandemia de Covid-19, mas após a crise para dar ao povo da Escócia a oportunidade de escolher nosso próprio futuro em um referendo”, disse ela.

“O fato de estarmos sentados aqui debatendo se esse resultado será ou não respeitado diz muito sobre a falta de respeito pela democracia escocesa que este governo do Reino Unido vem demonstrando há algum tempo.”

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

Mais Recentes da CNN