Premiê da Groenlândia diz que soberania é linha vermelha em qualquer acordo

Jens-Frederik Nielsen pontuou querer relação pacífica e respeitosa com aliados, mas criticou retórica dos Estados Unidos

Nic Robertson, Benjamin Brown e Max Saltman, da CNN
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O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta quinta-feira (22) que não tem certeza do que há de concreto na "estrutura" para um "futuro acordo" sobre a Groenlândia anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Ninguém além da Groenlândia e do Reino da Dinamarca tem mandato para fazer acordos ou convênios sobre a Groenlândia e o Reino da Dinamarca sem a nossa participação", disse Nielsen a Nic Robertson, da CNN, em uma coletiva de imprensa em Nuuk.

Trump anunciou na quarta-feira (21) que havia chegado a uma "estrutura" de acordo após uma reunião com o secretário-geral da Otan, a aliança militar ocidental, Mark Rutte.

Nielsen disse que entendeu que, nessa reunião, Rutte "transmitiu a mensagem que, na verdade, já havíamos transmitido há alguns dias com nosso representante do governo da Groenlândia".

"O que dissemos desde o início é que queremos uma relação respeitosa e pacífica e uma parceria sólida como aliados. Mas, sem dúvida, a retórica que ouvimos no último ano é inaceitável para nós", disse Nielsen.

O primeiro-ministro acrescentou que a Groenlândia está aberta a qualquer número de planos para uma maior integração na Otan, inclusive por meio de uma “missão permanente” na ilha, desde que quaisquer planos partam de um princípio fundamental de “respeito” à sua soberania.

“Temos uma responsabilidade. Portanto, vamos conversar sobre isso pelos canais adequados, de maneira respeitosa. Tenho certeza de que podemos chegar a um acordo que seja benéfico para ambos os lados", comentou o premiê

A soberania e a integridade territorial da Groenlândia são uma “linha vermelha”, continuou Nielsen. Mais cedo na coletiva de imprensa, ele disse aos repórteres que a posição da Groenlândia é clara.

“Resumindo, escolhemos o Reino da Dinamarca. Escolhemos a União Europeia, escolhemos a Otan. Esta não é uma questão apenas para a Groenlândia e o Reino da Dinamarca, mas sim para a ordem mundial de todos nós", pontuou.