Premiê francês recebe calcinhas em protesto de lojas contra lockdown na França

Lojistas de lingeries enviam roupas íntimas femininas a Jean Castex em protesto para tornar setor essencial

Calcinha enviada ao primeiro-ministro francês Jean Castex, em protesto de comerciantes
Calcinha enviada ao primeiro-ministro francês Jean Castex, em protesto de comerciantes Foto: Action Culottee

Rob Picheta, Antonella Francini e Saskya Vandoorne, CNN

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O primeiro-ministro francês, Jean Castex, tem recebido roupas íntimas femininas pelo correio, como parte de um protesto promovido por proprietários de lojas de lingerie, cujos estabelecimentos foram obrigados a fechar durante o lockdown no país.

Os criativos ativistas têm compartilhado fotos na internet de diferentes roupas íntimas enviadas a Castex, dentro de um envelope, junto com uma carta que explica as reivindicações do grupo. O protesto, organizado pelo grupo Action Culottée, foi organizado depois que lojas de lingerie foram classificadas como comércio não-essencial e forçadas a fechar as portas, a fim de reduzir a transmissão de Covid-19.

“Conseguimos que mais de 200 varejistas participassem”, disse à CNN Nathalie Paredes, dona da Sylvette Lingerie, situada em Lyon, e criadora do projeto. “(Isto) significa que 200 calcinhas” foramenviadas ao primeiro-ministro, ela disse.

O grupo de Paredes compartilhou dezenas de imagens online dos pacotes enviados para Castex. “Nós esperamos trazer à tona a situação crítica por que centenas de lojas de roupas íntimas em toda a França têm passado”, disse o grupo em nota para a imprensa.

“Floristas, livreiros, cabeleireiros e lojas de discos foram classificados como comércio ‘essencial’. Mas e as roupas íntimas?”, disse o grupo. “Esta não é uma questão de higiene e proteção? Esta não é a primeira coisa que colocamos de manhã, para nos vestirmos?”, questiona.

Jean Castex, novo premiê da França
Jean Castex, novo premiê da França
Foto: Reprodução – 09.jan.2020 / Reuters

“Por que o nosso setor não é essencial e cabeleireiro é essencial?”, complementou Paredes. A carta incluída em cada pacote reivindica que Castex reconsidere as regras do lockdown. “A verdade é que TODOS nós somos essenciais, primeiro-ministro. Comércios pequenos e locais são preciosos. Eles contribuem com a economia local e dão vida a nossas comunidades”, diz o texto.

A CNN entrou em contato com o gabinete de Castex para pedir um posicionamento.

No dia 3 de abril, a França voltou a promover um lockdown nacional, fechando lojas consideradas não-essenciais, assim como bares, academias, museus e teatros. No entanto, livrarias e lojas de música foram autorizadas a ficar abertas. As medidas foram anunciadas depois de um aceleramento no número de casos de Covid-19 pelo país. Na semana passada, a França ultrapassou as 100 mil mortes confirmadas desde o início da pandemia.

Texto traduzido. Clique aqui e leia o original em inglês

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