Presidente do Haiti acusa opositores de tentativa de golpe; dezenas são presos

Oposição acusa o presidente Haiti, Jovenel Moïse, de estender inconstitucionalmente seu mandato. Dezenas são presos, incluindo juiz do Supremo Tribunal do país

Jovenel Moïse, presidente do Haiti
Jovenel Moïse, presidente do Haiti Foto: Twitter/ Reprodução

Por Etant Dupain e Caitlin Hu, da CNN

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Dezenas foram presos no Haiti por uma suposta tentativa de golpe neste domingo (8), enquanto os manifestantes acusavam o presidente Jovenel Moïse de estender inconstitucionalmente seu mandato.

“Prendemos 23 pessoas por conspiração contra o estado”, disse o ministro da Justiça, Rockefeller Vincent. Entre eles está um juiz do Supremo Tribunal, disse ele.

De acordo com a constituição do Haiti, os mandatos presidenciais duram cinco anos. O Superior Tribunal de Justiça do Haiti e o movimento de oposição do país afirmam que Moïse, que ganhou o segundo turno em 2016, deveria deixar o cargo no domingo.

 

Mas Moïse argumenta que terá mais um ano porque não foi realmente empossado até 2017 – uma reivindicação apoiada tanto pela Organização dos Estados Americanos quanto pelo governo do presidente Joe Biden.

“Meu governo recebeu do povo haitiano um mandato constitucional de 60 meses. Esgotamos 48 deles. Os próximos 12 meses serão dedicados à reforma do setor de energia, à realização do referendo e à organização de eleições”, tuitou o presidente no domingo.

Moïse governa por decreto há mais de um ano, depois que o governo não conseguiu organizar eleições parlamentares, deixando o órgão vago.

Na semana passada, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, disse a repórteres que “um novo presidente eleito deve suceder ao presidente quando seu mandato terminar em 7 de fevereiro de 2022”.

Price também pediu ao governo de Moïse “para organizar eleições legislativas livres e justas para que o parlamento possa retomar seu papel legítimo” e “exercer moderação na emissão de decretos”.

Vários representantes dos EUA expressaram apoio à oposição do Haiti, apelando ao Departamento de Estado dos EUA em uma carta aberta para “condenar as ações não democráticas do presidente Moïse e e apoiar o estabelecimento de um governo de transição”.

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