Presidente do Irã rebate Trump na ONU e diz que país é vítima de terrorismo

Masoud Pezeshkian também afirmou que o país não se renderá e pediu ajuda de outras nações para manter a paz

Billy Stockwell, Catherine Nicholls e Maureen Chowdhury, da CNN
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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, iniciou seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quarta-feira (23) chamando atenção para o suposto ataque dos Estados Unidos a uma escola de ensino fundamental iraniana no início da guerra.

Pezeshkian afirmou vir de "um Irã onde, na verdade, bombardearam uma escola. Vejam só, essas crianças; essas crianças morreram sob bombas disparadas com armas utilizadas pelos Estados Unidos e por Israel", disse ele.

"O presidente dos Estados Unidos nos descreveu como terroristas. Nós fomos as vítimas do terrorismo", afirmou aos líderes mundiais.

Ao menos 120 crianças e 26 professores morreram após a escola, localizada na cidade de Minab, no sul do país, ser atingida em 28 de fevereiro, segundo autoridades iranianas.

"Elas eram inocentes, não haviam cometido crime algum", pontuou o presidente nesta quarta.

No início deste mês, o Departamento de Defesa dos EUA informou que uma investigação sobre o caso estava em andamento.

O ataque à escola pode ser um crime de guerra, concluiu uma missão de apuração de fatos da ONU no início de setembro.

Em resposta, um porta-voz da Casa Branca declarou: "A única parte neste conflito que cometeu crimes de guerra é o regime iraniano".

"Não vamos baixar a cabeça nem nos curvar", diz Irã

Ainda durante o discurso, Masoud Pezeshkian também afirmou que o Irã "jamais baixará a cabeça nem se curvará", pedindo que outras nações colaborem na busca por "paz e estabilidade verdadeiras" diante do que descreveu como "intimidação".

Ao comentar o discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, na Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira (22), o líder iraniano disse que o americano "precisa saber que a resistência do povo iraniano só aumentará diante de sanções, do aumento da pressão e da intensificação da intimidação".

Pezeshkian ressaltou que "um mundo sem poder é perigoso, mas um mundo que compreende apenas a linguagem da guerra e da intimidação não será seguro".

"Não devemos construir um mundo no qual o poder militar substitua a legitimidade, o terrorismo substitua a política e as negociações, e a guerra substitua o diálogo e a diplomacia", disse ele aos líderes mundiais.

Assim, pediu ajuda às outras nações para garantir a paz.

"O Irã estende a mão ao mundo; nós convidamos o mundo. Convocamos o mundo — não por fraqueza, mas por uma profunda convicção em nosso próprio poder e firmeza para cooperar e colaborar, e pela profunda crença de que ninguém nesta região terá segurança sozinho", comentou.

"Ou a construiremos juntos, ou teremos de viver juntos sob a insegurança. Buscamos idealizar um futuro digno, no qual a segurança, a equidade, a justiça e a dignidade humana se tornem direitos inalienáveis ​​para todos os povos, para todos os seres humanos", prosseguiu.

Irã quer energia nuclear "para progresso"

Em outro momento do discurso à ONU, Pezeshkian afirmou que seu país busca tecnologia nuclear "para o progresso, não para ameaçar sociedades com armas", ressaltando que desejam cooperar e colaborar em prol da segurança.

"Para o nosso país, a tecnologia nuclear para fins pacíficos é parte integrante do nosso progresso", disse Pezeshkian, citando a necessidade de avanços em setores como a agricultura e o fornecimento de energia elétrica.

"O Irã não aceita que a tecnologia nuclear fique à disposição exclusiva de alguns — de um punhado de nações. Não aceitaremos. Não curvaremos a cabeça nem renunciaremos a um direito que é inerentemente nosso", adicionou.

"Dizemos isso claramente: nada de armas nucleares e nada de limitações à tecnologia nuclear para fins pacíficos. Nossa paz não virá do campo de batalha, mas é preciso garantir a segurança necessária ao povo e à nação do Irã", acrescentou.

Pezeshkian também pontuou que os sistemas de defesa do Irã são uma necessidade para proteger o país contra ataques.

"O Irã precisa ser poderoso para evitar ser ameaçado, para evitar que seu futuro seja ameaçado. Nossos sistemas defensivos foram construídos para que ninguém pense que o bombardeio de cidades iranianas ficará sem resposta. É por isso que dispomos desse poder militar para defesa", disse.

No início deste mês, a agência de fiscalização nuclear das Nações Unidas solicitou ao órgão que responsabilizasse o Irã por não cumprir as salvaguardas destinadas a impedir o desenvolvimento de armas nucleares, segundo autoridades diplomáticas.

Irã critica bloqueio marítimo dos EUA

O presidente iraniano também disse que o país não permitiria que nenhuma nação usasse o Estreito de Ormuz para "impor suas agressões".

"Não podemos permitir que alguns tenham livre acesso e obtenham benefícios de uma via navegável enquanto, ao mesmo tempo, usam essa via para nos impor agressões, para nos impor insegurança e para nos impedir o acesso às nossas próprias águas", afirmou ele na reunião em Nova York.

"Eles bloqueiam nosso acesso à nossa própria via navegável", adicionou.

Ainda assim, Pezeshkian disse buscar cooperação para alcançar a segurança na região. "O Irã não vê seus vizinhos como rivais em termos de segurança", acrescentou.

O tráfego por Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do petróleo bruto mundial, diminuiu significativamente desde o início da guerra, em fevereiro.

Já o bloqueio dos portos iranianos pelas Forças Armadas dos EUA foi reimposto em julho, após o colapso do cessar-fogo provisório entre os EUA e o Irã.

Na segunda-feira (21), o Comando Central americano informou que suas tropas haviam redirecionado 110 navios comerciais para garantir o cumprimento do bloqueio.