Presidente dos EUA saiu vitorioso poucas vezes nas Midterms; saiba quais

História recente americana só tem três presidentes que conseguiram aumentar tamanho da base no Congresso durante as Eleições de Meio de Mandato

Jéssica Petrovna, da CNN Brasil
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer mudar a lógica das Midterms, as Eleições de Meio de Mandato, quando os americanos forem às urnas para renovar o Congresso em novembro.

Ao anunciar que entraria 100% na campanha dos Republicanos, Trump declarou: "Seja você um bom presidente ou um ótimo presidente, você perde as eleições de Meio de Mandato. Vamos mudar isso porque não há motivo para tal".

Historicamente, o partido do presidente costuma perder assentos no Congresso nas Midterms. Isso acontece porque a votação é considerada uma espécie de referendo sobre o governo, especialmente no caso da Câmara dos Deputados.

São poucas as exceções a essa regra, que vale tanto para democratas quanto para republicanos. Na história recente americana, apenas três presidentes conseguiram ampliar as bancadas dos respectivos partidos na Câmara. Foram eles: Franklin D. Roosevelt, Bill Clinton e George W. Bush.

Presidentes vitoriosos nas Midterms

No primeiro governo de Franklin D. Roosevelt, o Partido Democrata elegeu mais nove deputados e nove senadores nas Eleições de Meio de Mandato de 1934. O presidente implementava o conjunto de reformas conhecido como “New Deal” para recuperar a economia americana após a Grande Depressão e contava com enorme apoio popular.

O democrata foi reeleito com facilidade e governou o país até 1945 — na época, não havia o limite de apenas dois mandatos — mas o partido saiu derrotado nas outras Midterms que disputou sob a liderança de Franklin Roosevelt, em 1938 e 1942.

O também democrata Bill Clinton viu o partido perder 54 deputados e oito senadores nas primeiras Midterms sob o seu governo, em 1994. Depois, nas Eleições de Meio de Mandato de 1998, o partido ampliou levemente o número de deputados e conseguiu manter a sua bancada no Senado.

Clinton enfrentava um processo de impeachment pelo escândalo envolvendo o relacionamento com Monica Lewinsky, que era estagiária da Casa Branca. O processo, no entanto, não era amplamente apoiado pelos americanos.

Já em 2002, foi o republicano George W. Bush quem conseguiu um bom desempenho com o partido nas Midterms. O presidente ainda contava com forte apoio popular depois dos atentados de 11 de setembro. Ao longo do ano de 2002, Bush manteve uma aprovação média de 71,4%, de acordo com levantamento do Instituto Gallup.

Eleições para Câmara e Senado são medidas diferentes

Por sua vez, Donald Trump não fugiu à regra durante o seu primeiro governo. Os republicanos perderam 41 deputados e viram os democratas assumirem o controle. No entanto, o partido manteve a maioria no Senado.

O mesmo aconteceu com o democrata Joe Biden: viu o partido retroceder na Câmara, mas manter o controle do Senado, frustrando a "onda vermelha" que os republicanos esperavam nas Midterms.

O analista da CNN Lourival Sant'Anna explica que isso acontece porque as eleições da Câmara e do Senado medem coisas diferentes.

"Na Câmara, os 435 deputados enfrentam o eleitor a cada dois anos. Se ocorre uma oscilação nacional de aprovação do presidente ou de humor em relação ao governo, isso impacta praticamente todo o mapa do país ao mesmo tempo", afirma. "Por isso, a eleição para a Câmara funciona quase como um plebiscito nacional sobre o presidente".

Já no Senado, só um terço das 100 cadeiras está em disputa. "Pode acontecer de o presidente estar impopular nacionalmente, mas as cadeiras que seu partido precisa defender naquele ano estarem quase todas em estados favoráveis a ele, enquanto a oposição tenha de defender várias cadeiras em estados hostis", acrescenta Lourival Sant'Anna.

Impopularidade de Trump preocupa republicanos

A popularidade de Donald Trump é um fator que preocupa os republicanos. A aprovação do presidente chegou a 33%, o pior índice da carreira do republicano, mostrou uma série recente de pesquisas Reuters/Ipsos.

A insatisfação com a guerra contra o Irã e o custo de vida pesaram para esse resultado. E mesmo com uma leve melhora na aprovação, que subiu para 35%, as perspectivas para o partido continuam desafiadoras: 44% dos americanos disseram que votariam nos democratas para o Congresso. Apenas 37% escolheriam os republicanos.

A vantagem de sete pontos foi a maior registrada em pesquisa Reuters/Ipsos de "voto genérico" desde que Donald Trump retornou à Casa Branca. Esse tipo de levantamento mede que partido os eleitores querem ver no controle do Congresso e capta o sentimento do público no nível nacional, mas não as nuances estaduais.

Em outro ponto de alerta para o partido de Donald Trump, os americanos disseram preferir os democratas e não os republicanos na gestão da economia pela primeira vez em uma década.

O caminho para a maioria no Congresso

De acordo com o analista-chefe de dados da CNN, Harry Enten, a chance de os democratas conquistarem a maioria na Câmara e no Senado era de 52%, em agosto. O cálculo para as Midterms levou em consideração uma série de pesquisas para traçar os cenários mais prováveis.

Apesar do momento favorável, no entanto, o Partido Democrata tem um caminho difícil pela frente na disputa pelo controle do Senado. Atualmente, os republicanos têm maioria de 53 a 47.

Os democratas teriam que virar pelo menos quatro cadeiras no Senado, e do total em disputa, apenas nove são consideradas mais competitivas, ou seja, com maior probabilidade de mudança.

Isso inclui estados como Alasca, Texas, Ohio, Iowa e Carolina do Norte, onde Donald Trump derrotou Kamala Harris por ampla margem.