Primeiro-ministro do Camboja pede reunião da ONU para "parar" Tailândia
Premiê enviou carta ao presidente do Conselho de Segurança da organização; países trocam acusações de ataques
O primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, apelou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para convocar uma “reunião urgente” para “interromper a agressão da Tailândia”, após a intensificação dos combates entre os vizinhos.
Manet afirmou que as forças armadas tailandesas lançaram “ataques não provocados, premeditados e deliberados contra posições cambojanas ao longo das áreas de fronteira”, acusando-as de violar o direito internacional em carta ao presidente do Conselho de Segurança, Asim Iftikhar Ahmad.
“Diante desta flagrante agressão, as tropas cambojanas não tiveram outra opção senão responder em legítima defesa, a fim de salvaguardar a soberania e a integridade territorial do Camboja”, escreveu o premiê.
“É profundamente repreensível que esse ato de agressão ocorra enquanto o Camboja busca ativamente vias legais pacíficas e imparciais para resolver questões pendentes de fronteira com a Tailândia por meio de mecanismos bilaterais e internacionais.”
A Tailândia acusou o Camboja de violar tanto sua soberania quanto o direito internacional ao instalar minas terrestres em território tailandês, na fronteira disputada, e ao disparar foguetes contra áreas civis na manhã desta quinta-feira (24).
“O Governo Real Tailandês apela ao Camboja para que assuma a responsabilidade pelos incidentes ocorridos, cesse os ataques contra alvos civis e militares e interrompa todas as ações que violem a soberania da Tailândia”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Tailândia.
A Tailândia está “preparada para intensificar nossas medidas de autodefesa se o Camboja persistir em seus ataques armados e violações”, afirmou o comunicado.
Entenda o conflito entre Tailândia e Camboja
Tailândia e Camboja têm mantido uma relação complexa de cooperação e rivalidade nas últimas décadas.
Os países compartilham uma fronteira terrestre de 817 km. A demarcação foi feita pela França, que controlava o Camboja como colônia.
A divisão resultou em uma disputa antiga que envolve áreas onde ficam locais históricos e templos, que os dois países reivindicam propriedade.
O Camboja já havia buscado uma decisão da Corte Internacional de Justiça da ONU sobre áreas em disputa, incluindo o local do confronto mais recente.
Mas a Tailândia não reconhece a jurisdição da CIJ e alega que algumas áreas ao longo da fronteira nunca foram totalmente demarcadas, incluindo os locais de vários templos antigos.
Em 2011, tropas tailandesas e cambojanas entraram em confronto em uma área próxima ao templo Preah Vihear, do século XI, patrimônio mundial da Unesco, deslocando milhares de pessoas de ambos os lados e matando pelo menos 20.


