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    Primeiro-ministro húngaro é criticado por comentários sobre raça e multiculturalismo

    Ex-assessora de Viktor Orbán descreveu suas declarações como um "texto nazista puro"

    Rob PichetaBoglarka Kosztolanyida CNN

    O líder nacionalista linha-dura da Hungria, Viktor Orbán, está enfrentando condenação internacional depois de fazer comentários sobre raça e multiculturalismo que foram classificados por uma ex-conselheira como um “texto nazista puro”.

    Zsuzsa Hegedus, que serviu como conselheira de Orbán por duas décadas, renunciou na terça-feira (26) pelo que chamou de “virada iliberal” de Orbán, descrevendo seus comentários na Romênia no sábado como um “texto nazista puro digno do [propagandista nazista] Goebbels”, segundo sua carta de demissão publicada pela revista húngara HVG.

    Ele também foi denunciado pelo Comitê Internacional de Auschwitz após comentários no mesmo discurso que foram interpretados como uma piada sobre o uso de câmaras de gás contra judeus na Alemanha nazista.

    Orbán disse a uma multidão que os europeus não querem se misturar com pessoas de fora do continente.

    “É por isso que sempre lutamos: estamos dispostos a nos misturar, mas não queremos nos tornar pessoas mestiças”, disse.

    Ele alertou que a “civilização islâmica” está “constantemente se movendo em direção à Europa” e que, no futuro, “aqueles que não queremos deixar entrar terão que ser detidos nas fronteiras ocidentais [da Hungria]”, independentemente da participação do país ter fronteiras abertas com outros 26 países europeus.

    Hegedus, uma dos assessores mais próximos de Orbán, disse que o discurso contradiz seus valores e torna sua posição insustentável. Ela acrescentou que a guinada de Orbán em direção ao autoritarismo durante seu período de 12 anos como primeiro-ministro da Hungria já havia erodido seu apoio.

    “Você não pode estar falando sério sobre me acusar de racismo depois de 20 anos trabalhando juntos. Você sabe melhor do que ninguém que na Hungria meu governo segue uma política de tolerância zero tanto em relação ao antissemitismo quanto ao racismo”, disse Orbán em resposta, segundo um comunicado publicado no Twitter por seu diretor político, Balazs Orban.

    17/02/2022, Budapeste, Hungria
    / Alan Santos/PR

    Mas o discurso do líder provocou uma reação irada em toda a Europa, com críticos de seu regime exigindo que os líderes da União Europeia (UE) condenassem abertamente o primeiro-ministro de direita.

    “Orbán continua a ter um assento na mesa do Conselho Europeu e direitos de veto para minar a soberania da Europa…Insustentável, inaceitável, não-europeu”, escreveu Guy Verhofstadt, ex-primeiro-ministro belga e membro sênior do Parlamento Europeu no Twitter.

    “Orbán cultiva cuidadosamente uma imagem mais palatável em Bruxelas/no exterior. Muitos conservadores posando alegremente com ele nunca endossariam publicamente tais discursos de extrema direita”, acrescentou Katalin Cseh, eurodeputada húngara, em um post no Twitter.

    Em outra parte do discurso, Orbán foi acusado por Cseh e outros de fazer pouco caso do uso de câmaras de gás pelo regime nazista durante o Holocausto.

    Discutindo a meta acordada pela Comissão Europeia para seus 27 estados membros reduzirem sua demanda de gás em 15% entre agosto e março do próximo ano, Orban disse: nos mostra o know-how alemão sobre isso”.

    A CNN entrou em contato com o governo húngaro para comentar.

    Em um comunicado na terça-feira, o Comitê Internacional de Auschwitz condenou as observações de Orbán como “estúpidas e perigosas”. Eles disseram que os sobreviventes de Auschwitz e outros ficaram “alarmados e horrorizados” com seu discurso.

    Ao longo de seu mandato, Orbán supervisionou um processo de retrocesso democrático e fez comentários sobre migrantes e multiculturalismo que foram condenados por colegas europeus.

    No ano passado, ele criticou o gesto de ajoelhamento antirracismo feito por times de futebol de muitos países, dizendo que concordava com os torcedores húngaros que vaiaram o ato. Ele criticou as cotas de imigrantes da UE, levando a questão a um referendo em 2016, que foi descartado pelos órgãos de vigilância internacionais como uma façanha.

    Mas Orbán recebeu uma onda de apoio entre alguns conservadores americanos e ainda deve falar na conferência da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) do próximo mês no Texas, apesar de seus comentários de sábado.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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