Protesto na França termina com mais de 500 policiais feridos e 1.800 presos

Prédios governamentais foram incendiados e um manifestante foi morto

Joseph Ataman, Catherine Nicholls, Sana Noor Haq e James Legge, da CNN

Comunidades em toda a França estavam abaladas neste domingo (18) após uma das noites de protestos mais violentas dos últimos anos, depois que manifestações pelo custo de vida e investimento em serviços públicos se transformaram em tumulto. Prédios governamentais foram incendiados, um manifestante foi morto e mais de 500 policiais ficaram feridos.

A polícia prendeu 1.800 pessoas após uma série de protestos pacíficos em todo o país que se tornaram violentos com a chegada da noite de sábado (17).

Um manifestante morreu ao norte de Paris após uma "parada cardiorrespiratória", informou a afiliada da CNN BFMTV neste domingo, citando a sede da Polícia de Paris.

Na cidade central de Limoges, a prefeitura de 143 anos foi incendiada, com vídeos mostrando o colapso de sua torre. Em Marselha, manifestantes mascarados vestidos de preto invadiram a prefeitura e depredaram o edifício, e em Lyon, manifestantes atearam fogo ao escritório de turismo da cidade.

Parlamentares e autoridades regionais intensificaram as críticas ao plano de segurança do governo, disse a BFMTV. O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu deve se reunir com os prefeitos de Paris, Lyon e Marselha, que pediram maior reforço para reparar os danos.

O presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento à nação em uma transmissão na televisão neste domingo à noite.

Com a chegada da noite em Paris no sábado, grupos de jovens saquearam lojas e atearam fogo enquanto os protestos se dispersavam, levando a polícia a responder com gás lacrimogêneo e cassetetes nas ruas estreitas.

Mais de 500 policiais foram feridos, publicou o ministro do Interior da França, Laurent Nunez, no X neste domingo, afirmando que "nada pode justificar" o tumulto. No início deste fim de semana, Lecornu também condenou "níveis inaceitáveis de violência".

Protestos, em grande parte pacíficos, cresceram a partir atos liderados por estudantes que tomaram partes da França no mês passado, desencadeando um movimento mais amplo contra a precarização da educação, o aumento do custo de vida e a suposta inação do governo.

Os atos simbolizaram uma raiva latente entre pessoas que dizem que seus pedidos por mudanças sociais e políticas não estão sendo atendidos por governos negligentes.

Cerca de 550.000 manifestantes foram às ruas em toda a França, incluindo 110.000 em Paris, disse Nunez no sábado. Os organizadores afirmaram que o número de participantes foi muito maior.

"Há um acúmulo de riqueza e poder completamente fora de controle", disse uma manifestante, que se identificou como Pauline, à CNN em Paris no sábado.

"Também estamos aqui para apoiar a juventude. Há vitórias, mas se olharmos para o quadro geral, as coisas não estão indo na direção certa", acrescentou a mulher de 36 anos.

Outro manifestante reclamou de "menos democracia" e de uma "concentração de poder" sob a liderança do presidente Emmanuel Macron. "Há bilionários que controlam a mídia", disse Louise, 38 anos, à CNN. "Estamos lutando para mudar as coisas."

Macron atacou os "semeadores do caos" por interferirem nos protestos pacíficos e alertou no final do sábado que "aqueles que quebraram, atacaram policiais, bem como empresas, saquearam até nossas prefeituras municipais, serão processados e punidos."

"Não recuamos diante de vândalos e daqueles que vieram atacar as forças da lei", disse a Prefeitura de Polícia de Paris — o órgão que supervisiona a Força Policial de Paris, os serviços de emergência e vários outros departamentos administrativos —, acrescentando que seus funcionários mantiveram "sua posição com coragem e profissionalismo."

"Dois mundos, duas realidades"

A resposta da polícia às semanas de protesto passou a ser alvo de críticas. No início da semana, a repressão policial havia deixado um menino de 14 anos com a mandíbula fraturada. Outro policial foi filmado usando uma gravata no pescoço de uma menina na área noroeste de Alençon, uma ação agora proibida por lei.

Um manifestante na cidade de Saint-Étienne, a cerca de 40 milhas a sudoeste de Lyon, perdeu a mão durante uma marcha no sábado, disse uma fonte policial à BFMTV.

Este é o segundo caso registrado de um manifestante perdendo a mão na atual onda de protestos estudantis.

Um estudante na cidade nordestina de Lens perdeu a mão após supostamente pegar uma granada no início deste mês, o que levou à suspensão temporária de um tipo de granada de efeito moral pela polícia. Essa proibição, que ainda permitia à polícia usar vários tipos diferentes de granadas, foi agora revogada.

No geral, as autoridades afirmaram que a "grande maioria dos indivíduos" havia protestado pacificamente no sábado, de acordo com a BFMTV.

Em uma publicação no X, Jean-Luc Mélenchon, líder do partido La France Insoumise, destacou que a maioria dos manifestantes no sábado havia feito seu ponto de forma pacífica.

"Enquanto os canais de notícias são inundados com imagens de violência em dezenas de cidades, tudo está se desenrolando pacificamente com dezenas de milhares de pessoas mobilizadas com calma. Dois mundos, duas realidades", afirmou.

Ativistas jovens também lideraram protestos de solidariedade na Bélgica, na Albânia e na Itália no sábado.

Nas últimas semanas, estudantes do ensino médio na França organizaram protestos dispersos exigindo redução do tamanho das turmas, aumento dos gastos com professores, investimentos em infraestrutura projetada para resistir à crise climática e o fim da violência policial contra jovens.

Nos últimos anos, um aumento na natalidade aliado a cortes de financiamento levou a mais alunos, mas menos professores nas salas de aula. O ministro da Educação francês, Edouard Geffray, se reuniu com estudantes manifestantes várias vezes nas últimas semanas, embora um acordo ainda não tenha sido alcançado.

 

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