Província de Alberta rejeita separação e decide permanecer no Canadá
Cerca de três quartos dos eleitores votaram pela permanência no Canadá, encerrando campanha separatista que buscava apoio nos EUA; o premiê Mark Carney comemorou o resultado

A província rica em petróleo de Alberta rejeitou o caminho para a secessão e permanecerá parte do Canadá, desferindo um golpe definitivo em uma campanha marginal, porém barulhenta, que buscava apoio nos Estados Unidos.
Cerca de três quartos dos eleitores escolheram permanecer no Canadá, enquanto um quarto optou por realizar um segundo voto sobre a separação mais tarde, no início da terça-feira (20), horário local, com aproximadamente 45% das seções apuradas, de acordo com resultados não oficiais divulgados pela província.
O resultado ocorre em meio a uma crescente onda de patriotismo e unidade no Canadá, à medida que o país se uniu contra as tarifas e ameaças de anexação do presidente dos EUA, Donald Trump.
A campanha pela independência de Alberta, um esforço popular liderado por um punhado de separatistas fervorosos, foi amplamente amplificada na internet, e alguns de seus líderes se reuniram com membros do governo Trump.
A votação enfrentou preocupações com possível interferência estrangeira após o jornal canadense Globe and Mail reportar que operadores republicanos haviam auxiliado os principais líderes separatistas em sua campanha pela independência.
O primeiro-ministro canadense Mark Carney afirmou que o voto pela permanência significa que "os albertanos e todos os canadenses seguirão em frente juntos, com propósito renovado e grande ambição", em uma declaração publicada no X no início da terça-feira (20).
Thomas Lukaszuk, ex-político de Alberta e fundador do movimento pró-unidade Forever Canadian, disse que o resultado enviaria uma mensagem contundente a Trump: "O Canadá não está à venda."
"Somos um país sólido, unido de costa a costa a costa, e nos apoiamos mutuamente", disse Lukaszuk a uma multidão que comemorava enquanto os resultados chegavam.
A votação de segunda-feira foi o primeiro plebiscito desse tipo no Canadá desde o referendo de 1995 em Quebec, quando a província de língua predominantemente francesa votou contra a secessão por uma margem extremamente pequena.
O separatismo ressurge em meio às tensões com os EUA
Alberta, uma província com tamanho aproximado ao do Texas, há muito abriga um movimento de independência marginal. Os separatistas argumentam que:
- O sistema federal do Canadá sub-representa sua população de 5 milhões no parlamento;
- Os esforços canadenses para combater as mudanças climáticas ameaçam a lucrativa indústria de combustíveis fósseis de Alberta;
- Apolítica conservadora de Alberta é frequentemente sobreposta pelas províncias orientais mais liberais.
Embora a separação frequentemente tivesse baixa aprovação nas pesquisas em Alberta, o movimento ganhou força após o Partido Liberal de Carney vencer as eleições federais de 2025 em meio a uma guerra comercial com os Estados Unidos.
A premier de Alberta, Danielle Smith, anunciou em maio que a província realizaria um referendo sobre permanecer no Canadá ou sobre realizar um "referendo provincial vinculante" sobre a independência posteriormente.
Ao longo dos últimos dois anos, líderes separatistas se reuniram com autoridades americanas em Washington para tentar negociar apoio do governo Trump.
A notícia das reuniões, à época, enfureceu políticos canadenses, que acusaram os líderes separatistas de "traição".
O movimento também possui um sabor trumpista. Participantes de um comício separatista ao qual a CNN compareceu em 2025 usavam chapéus vermelhos no estilo MAGA com os dizeres "Make Alberta Great Again". Uma minoria chegou a afirmar que Alberta deveria pular a independência e se tornar o 51º estado americano.
Na semana passada, Elon Musk, aliado de Trump, instou Alberta, juntamente com as demais províncias canadenses Saskatchewan e Quebec, a se separarem do Canadá em uma publicação em sua plataforma X, dizendo que estariam "em melhor situação".
Carney, que cresceu em Alberta, reconheceu essa frustração em um discurso em Calgary na semana passada, pedindo aos eleitores que rejeitassem a secessão. "As frustrações que muitos albertanos sentiram são reais", disse Carney.
Mas, afirmou o primeiro-ministro, a separação apenas "sobrecarregaria" os albertanos "com anos de profunda divisão e grande incerteza".
Ele também fez uma crítica velada aos EUA.
"Este referendo chega no pior momento possível", disse ele. "O mundo se tornou mais perigoso e dividido. Alguns de fora de nossas fronteiras estão trabalhando para nos quebrar para que possam nos dominar."



