Presidente do Irã agradece Putin por apoio e critica unilateralismo dos EUA
Encontro ocorre em meio à escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos e às tensões com o Ocidente

O presidente russo, Vladimir Putin, se reuniu nesta terça-feira (1º) com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante a cúpula de 25 anos da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), em Bishkek, capital do Quirguistão, na Ásia Central.
A cúpula reúne países da Eurásia em busca de convergências e como contraponto à influência global de Washington.
Durante a reunião, Putin afirmou que Moscou se solidariza com o povo iraniano na defesa de seus interesses. O presidente russo também disse que Rússia e Irã manterão suas relações econômicas e comerciais, apesar do cenário militar e político.
Pezeshkian agradeceu a Putin pela posição de Moscou em relação à guerra com o Irã e às sanções impostas ao país. Segundo a Reuters, o presidente iraniano afirmou que Rússia e Irã podem resistir juntos ao que chamou de “unilateralismo” dos Estados Unidos.
Nesta segunda-feira (31), Putin se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping. Ao fim do encontro, Xi afirmou que, sob a “orientação estratégica e esforços conjuntos” deles, os alicerces das relações bilaterais ficarão mais sólidos e com perspectivas mais promissoras.
Putin e Xi Jinping também abordaram o conflito na Ucrânia durante o encontro, mas esse não foi o principal tema da reunião, afirmou o Kremlin.
Para Alberto Pfeifer, coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional em Defesa, Segurança e Inteligência da USP, o encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin vai além de acordos comerciais bilaterais.
Ele explicou à CNN Brasil que a OCX foi criada em 1996 para resolver disputas de fronteiras entre China, Rússia e países da Ásia Central, como Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão. Com o tempo, outros países passaram a integrar o bloco, que hoje inclui Índia, Paquistão, Irã e Turquia, entre outros. "Hoje em dia, ela é uma grande frente de questionamento da ordem global, não como oposição aos Estados Unidos, mas sim como uma alternativa", afirmou Pfeifer.
A temática central da cúpula deste ano é encontrar, por meio da cooperação, alternativas para a prosperidade e a segurança mundial. De acordo com Pfeifer, trata-se de "um esforço para se encontrar alguma lógica, alguma razoabilidade num novo mundo", em que regras, direitos e estruturas de cooperação estão sob crescente questionamento. A iniciativa é capitaneada pela China, que pretende estabelecer um braço financeiro denominado Banco do Desenvolvimento da OCX, com o objetivo de dar maior musculatura ao bloco, composto por países de realidades bastante distintas.
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Pfeifer destacou que o Brasil não faz parte desse tabuleiro, uma vez que a OCX se refere ao continente eurasiático. Embora o país já tenha participado de reuniões de cúpula como membro observador, seu alinhamento principal se dá com China, Rússia, Índia e África do Sul, no âmbito dos BRICS. "O tabuleiro do Brasil é o Hemisfério Ocidental, são as Américas, é a América Latina, é a América do Sul", pontuou o analista.
Ainda assim, Pfeifer ressaltou que o Brasil deve acompanhar de perto os desdobramentos da cúpula. Segundo ele, acordos futuros que unam os dois lados do mundo "podem ser interessantes" para o país e ter impactos sobre a reorganização do tabuleiro regional, que é prioridade do governo dos Estados Unidos. A reunião, portanto, carrega um grande simbolismo: não representa uma confrontação direta com Washington, mas aponta para possibilidades concretas de desenvolvimento e prosperidade entre os países membros.
Com informações da Reuters


