Putin vai elevar o conflito até últimas instâncias, diz ex-embaixador brasileiro

Em entrevista à CNN, Roberto Abdenur considerou difíceis as possibilidades de haver uma negociação diplomática entre a Rússia e a Ucrânia

Elis FrancoVinícius Tadeuda CNN

Em São Paulo

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No “futuro previsível”, Rússia e Ucrânia não devem chegar a um entendimento diplomático que resulte em um amplo cessar-fogo em território ucraniano. Essa é a opinião do diplomata e ex-embaixador do Brasil em Washington e em Pequim Roberto Abdenur, que em entrevista à CNN nesta terça-feira (22) analisou o conflito no Leste Europeu.

De acordo com o diplomata, o presidente russo, Vladimir Putin, “vai elevar o conflito até as últimas instâncias” quando puder “de alguma maneira apresentar à sua população um resultado minimamente satisfatório”.

Abdenur considerou que as exigências que a Rússia apresentou para colocar fim à invasão da Ucrânia são “maximalistas”, e avaliou que os ucranianos não devem aceitá-las. O ex-embaixador disse que “os próprios países europeus não iriam ver com bons olhos” o fato da Ucrânia aceitar as condições do Kremlin.

Por outro lado, o diplomata afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, “tem uma tendência a falar demais, a usar expressões muito agressivas sem pensar nas consequências disso, como, por exemplo, chamar o Putin de criminoso de guerra“.

“Vladimir Putin é um criminoso de guerra, mas o fato do presidente dos EUA emitir tal opinião é inconveniente e contraproducente. Biden está, no momento, aproveitando a primeira ocasião em que ele conta com apoio partidário, em que os republicanos apoiam a atitude dura contra a invasão da Ucrânia”, disse.

Segundo Abdenur, a guerra na Ucrânia “nos afeta diretamente”. “Não é um conflito local, qualquer conflito no coração da Europa é algo de alcance global, é um conflito de repercussão mundial e não apenas local”, considerou.

O diplomata ainda comentou sobre o encontro que Biden terá com a cúpula da Otan, e pontuou que a aliança militar deve “criar condições para uma nova arquitetura de segurança e estabilidade na Europa e, por consequência, para todo o mundo”.

“A Otan não deve ser vista como inimiga mortal da Rússia e nem a Rússia deve ser vista como inimiga do Ocidente”, disse o diplomata.

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