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    Qual a diferença entre os territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia?

    Territórios separados por 30 km diferem, além das regiões, em governança e segurança

    Fumaça no ar após ataques israelenses em Gaza
    Fumaça no ar após ataques israelenses em Gaza 10/10/2023 REUTERS/Mohammed Salem/Arquivo

    Germán Padingerda CNN

    Gaza e a Cisjordânia, os dois territórios palestinos, estão separados por apenas 30km de Israel. Mas essa não é a única diferença.

    Em Gaza, uma faixa de 40 km de comprimento e 11 km de largura com acesso ao mar, governa o grupo radical islâmico Hamas, atualmente em guerra com Israel depois de realizar um brutal ataque surpresa contra o país na madrugada do último sábado (7).

    Enquanto na Cisjordânia, situada no vale do rio Jordão e ocupada por Israel desde 1967, a Autoridade Nacional Palestina exerce um certo grau de autonomia.

    Os palestinos estão, portanto, geograficamente e, até certo ponto, politicamente divididos.

    Abaixo estão as principais diferenças entre os dois territórios palestinos.

    De onde vem a separação?

    Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, um grande número de judeus perseguidos deixou a Europa após os horrores do Holocausto.

    Muitos deles mudaram-se para o território histórico em torno de Jerusalém, então conhecido como Mandato Britânico da Palestina, administrado pelo Reino Unido desde 1920.

    A população judaica cresceu e encontrou um lugar no Mandato da Palestina ao lado da população árabe, e as tensões entre os dois povos aumentaram.

    Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou um plano para dividir o Mandato da Palestina em dois territórios que abrigariam um estado judeu (Israel) e um estado árabe. Jerusalém, a cidade sagrada do Judaísmo, do Cristianismo e do Islã, seria colocada sob um sistema de controle internacional.

    O Estado de Israel foi rapidamente fundado em 1948 naquele território, mas não houve fundação de um Estado árabe: os vizinhos Egito, Jordânia e Síria rejeitaram a proposta, e a guerra eclodiu.

    Israel triunfou nessa guerra e, no armistício (acordo formal ao final de um conflito) de 1949, expandiu a sua superfície, incorporando territórios no norte e no sul que, na divisão da ONU, eram destinados ao Estado árabe.

    A partir disso, os atuais territórios de Gaza e da Cisjordânia foram delimitados, mas, mais uma vez, não houve fundação do Estado árabe naquela época. Gaza permaneceu sob o controle do Egito e a Cisjordânia, da Jordânia.

    E em 1967, após a Guerra dos Seis Dias, ambos ficaram sob o controle de Israel, que mais tarde se retiraria de Gaza, em 2005.

    A Cisjordânia

    A Cisjordânia é o maior dos territórios palestinos, com uma área de 5.860 km². Não tem acesso ao Mar Mediterrâneo, mas é banhada pelas águas do Mar Morto.

    No entanto, ao contrário de Gaza, desde a ocupação israelense de 1967, os colonos israelenses têm proliferado seus assentamentos dentro deste território, e a possível anexação dessas regiões por Israel tem causado tensões nas últimas décadas, aparecendo até mesmo no plano de paz proposto por Donald Trump em 2020.

    Também ao contrário de Gaza, a presença e o controle de Israel na Cisjordânia continua desde 1967.

    Os acordos de Oslo de 1993, entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), marcaram uma virada, dando uma maior autonomia à Cisjordânia, já que foi estabelecida a Autoridade Nacional Palestina (ANP) no território, como um prelúdio para a futura criação de um Estado palestino.

    A continuação dos acordos de Oslo estabeleceram três áreas de responsabilidade dentro da Cisjordânia: Área A, onde a ANP tem controle total dos assuntos civis e da segurança, e compreende cerca de 20% do território. É mais povoado por palestinianos; a área B, onde a ANP tem total controle dos assuntos civis, mas Israel também participa do controle de segurança, em outros 20% do território; e, finalmente, a área C, onde Israel mantém todo o controle, e compreende 60% do território.

    A Área C, que inclui as zonas rurais menos povoadas da Cisjordânia, é a mais controversa, uma vez que a maioria dos colonos israelenses se situam ali.

    A Cisjordânia tem a sua fronteira mais longa com Israel: 330 km. Enquanto sua fronteira ocidental, com a Jordânia, chega a 148 km, ainda que essa região, próxima ao vale do rio Jordão, tenha numerosos assentamentos israelenses, e, em caso de anexação por Israel, eles deixariam a Cisjordânia sem a sua fronteira com a Jordânia.

    As principais cidades da Cisjordânia, tanto em população como em importância histórica e política, são Hebron, Nablus, Belém, Rafah e Ramallah. E sua população é de 3.176.549 pessoas.

    Gaza, uma faixa isolada

    O território de Gaza estende-se por uma faixa de 40 km de comprimento e 11 km de largura, com uma extensa saída para o Mar Mediterrâneo e uma área total de 306 km².

    A sua principal fronteira, de 59 km, é com Israel, embora ao sul também tenha uma fronteira de 13 km com o Egito.

    Gaza tem uma população de 2.098.389 habitantes e é um território altamente urbanizado (77,6%). Sua principal localização é a Cidade de Gaza.

    O seu PIB per capita – incluindo a Cisjordânia – é de US$ 5.600 (dados de 2021), um dos mais baixos do mundo. Além de ter uma taxa de desemprego de 24,9% (dados de 2021).

    Ao contrário da Cisjordânia, onde Israel mantém o controle da segurança, Gaza tem sido governada de forma autônoma desde que a saída israelense começou em 2005 e terminou em 2006.

    Desde então, o território tem sido governado pelo Hamas, depois de o grupo ter obtido uma vitória esmagadora nas eleições legislativas palestinas de 2006.

    A relação com Israel tem sido de conflito quase constante, o que levou a extensos períodos de bloqueio do território. Consequentemente, Gaza tem sido constantemente afetada por crises humanitárias.

    Relembre – Israel faz ataque com drones na Cisjordânia e mata oito (há três meses)

    Este conteúdo foi criado originalmente em espanhol.

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