Entenda como funciona o acordo de armas nucleares entre Rússia e EUA
Tratado assinado originalmente em 2010 pelos presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev, limita o número de ogivas que ambas as nações podem utilizar

A Rússia está oferecendo aos EUA um acordo que estenderia por um ano o último tratado de armas nucleares entre os dois países, conhecido como New START.
Assinado pelos presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev em 2010, o tratado limita o número de ogivas nucleares estratégicas que os EUA e a Rússia podem implantar.
Cada um está limitado a, no máximo, 1.550 ogivas e a um máximo de 700 mísseis e bombardeiros de longo alcance para lançá-las.
Armas estratégicas são aquelas projetadas por cada lado para atingir os centros de poder militar, econômico e político do inimigo.
O New START entrou em vigor em 2011 e foi prorrogado em 2021 por mais cinco anos após a posse do ex-presidente americano Joe Biden. Em 2023, Putin suspendeu a participação da Rússia, mas Moscou afirmou que continuaria a respeitar os limites de ogivas.
O tratado expira em 5 de fevereiro do ano que vem, e os dois países — que romperam o diálogo sobre questões nucleares após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 — ainda não conversaram sobre o que acontecerá depois disso.
Analistas de segurança preveem que ambos os lados violarão os limites se o tratado não for prorrogado ou substituído.
Quem tem mais armas nucleares
De acordo com a FAS (Federação de Cientistas Americanos), a Rússia e os Estados Unidos estimam ter estoques militares de 4.309 e 3.700 ogivas nucleares, respectivamente. Portanto, Moscou figura em 1º lugar. A China está atrás, com cerca de 600.
O que Putin está propondo agora?
Putin disse na segunda-feira (22) que a Rússia estava preparada para aderir aos limites do New START por mais um ano "para evitar provocar uma nova corrida armamentista estratégica e garantir um nível aceitável de previsibilidade e contenção".
Mas isso só se aplicaria se os EUA concordassem em fazer o mesmo, disse o presidente russo.
O que Trump disse?
O líder dos EUA disse pela primeira vez em julho que gostaria de manter os limites estabelecidos no New START, afirmando que "não era um acordo que se deseja que expire" e que a remoção das restrições criaria um "grande problema".
No mês seguinte, Trump disse que a China também deveria se envolver nas negociações sobre controle de armas, com o objetivo final de "desnuclearização".
Pequim, no entanto, disse que não era razoável e realista pedir que entrasse em negociações de desarmamento nuclear com a Rússia e os EUA, que possuem arsenais muito maiores.
Quais são as possíveis barreiras do New Start?

Anteriormente, Putin citou especificamente os planos de defesa antimísseis dos EUA – uma referência ao Domo de Ouro planejado por Trump, com o objetivo de bloquear ameaças da Rússia e da China.
"Prosseguiremos com base no fato de que a implementação prática de tais ações desestabilizadoras poderia anular nossos esforços para manter o status quo no campo do New Start. Responderemos de acordo", disse ele.
Trump disse em maio que havia selecionado um projeto para o Domo de Ouro, de US$ 175 bilhões, que criaria uma rede de satélites, talvez centenas, para detectar, rastrear e potencialmente interceptar mísseis.
Quem obteria vantagem com a prorrogação do New Start?
Possivelmente, ambos os lados obteriam vantagem com a extensão do acordo, pois isso daria mais tempo para negociar um tratado sucessor e evitaria – ou pelo menos adiaria – uma nova e custosa corrida armamentista.
Após uma cúpula em agosto no Alasca que não produziu resultados tangíveis, Putin e Trump também poderiam apresentar a prorrogação como um passo concreto para aliviar as tensões e como parte de um esforço mais amplo para normalizar as relações entre os dois países.
Do ponto de vista de Putin, a diplomacia nuclear com os EUA é atraente porque ele pode enfrentar Trump em uma área onde a Rússia tem vantagem em termos de número absoluto de ogivas: seu status nuclear excede em muito seu poder militar convencional.
O líder do Kremlin provavelmente apresentaria uma extensão do New Start como evidência de que Moscou está se comportando como um ator global responsável, em um momento em que Trump o criticou pela falta de progresso no sentido de encerrar a guerra na Ucrânia, e Kiev e seus aliados europeus afirmam que ele não leva a sério a busca pela paz.


