Qualquer ação terrestre dos EUA na Colômbia seria invasão, diz Petro
Presidente colombiano afirmou que os principais líderes do narcotráfico não vivem na Colômbia, mas sim em cidades que ele descreveu como luxuosas, como Miami, Nova York ou Dubai

O presidente colombiano, Gustavo Petro, disse, nesta quinta-feira (23), que qualquer possível ação terrestre dos EUA em território colombiano sob o pretexto de combater o narcotráfico seria "uma invasão e uma violação da soberania nacional".
Petro fez essa declaração em uma coletiva de imprensa na qual foi questionado se tinha informações de que o presidente dos EUA, Donald Trump, planeja atacar traficantes de drogas na Colômbia por meio de uma operação terrestre.
Trump anunciou recentemente que autorizou forças americanas a realizar operações terrestres para combater cartéis e a imigração ilegal.
O presidente colombiano respondeu que os principais líderes do narcotráfico não vivem na Colômbia, mas sim em cidades que ele descreveu como luxuosas, como Miami, Nova York ou Dubai, e argumentou que, em seu país, os grupos criminosos recrutam principalmente pessoas pobres.
"Portanto, qualquer ação territorial é uma invasão e uma violação da soberania nacional, e afetará apenas os pobres. E quanto mais pobres os pobres se tornam, mais fácil será para os traficantes de drogas entrarem no território", disse ele.
Durante a coletiva de imprensa, convocada em meio à escalada das tensões entre Petro e Trump nesta semana, o presidente colombiano reiterou sua oposição ao destacamento militar americano em águas sul-americanas, argumentando que o objetivo é combater o narcotráfico.
Ele também criticou os ataques que as forças americanas realizaram contra embarcações que supostamente transportavam drogas, nos quais cerca de 30 pessoas morreram.
O mais recente ataque deste tipo ocorreu na quarta-feira (22), o primeiro no Oceano Pacífico, manobra que a chancelaria colombiana desqualificou em comunicado emitido à noite.
"A Colômbia apela ao governo dos Estados Unidos para que cesse esses ataques e o insta a respeitar as normas ditadas pelo direito internacional", disse a instituição.
Nesse sentido, Petro insistiu nesta quinta-feira que, ao contrário do que afirma Trump, ele não está liderando atividades de tráfico de drogas e sustentou que seu governo está trabalhando para combater esses crimes.
Em pelo menos duas ocasiões nesta semana, Trump acusou Petro de ser um líder do tráfico de drogas. Na quarta-feira, Trump alertou Petro para "ter cuidado", pois os Estados Unidos poderiam agir contra ele e a Colômbia. Por sua vez, Petro rejeitou veementemente as acusações de Trump.
Durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, Trump reiterou que a Colômbia tinha um “líder terrível, um homem mau, um bandido” e que o país estava produzindo cocaína “a níveis nunca antes vistos”.
“Não vamos tolerar isso por muito mais tempo”, disse Trump.



