Quase 200 mil pessoas foram deportadas para o Haiti em 2026, diz ONU

Retorno forçado representa pelo menos 20 mil a mais do que no mesmo período do ano passado

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Quase 200 mil pessoas foram deportadas à força para o Haiti nos primeiros oito meses deste ano, disse um funcionário da ONU (Organização das Nações Unidas) em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança nesta sexta-feira (28), dias depois de um ataque brutal de gangues ter matado quase 50 pessoas perto da capital.

O retorno forçado representa pelo menos 20 mil pessoas a mais do que no mesmo período do ano passado, disse Indrika Ratwatte, secretária-geral adjunta interina para assuntos humanitários, durante a reunião.

O ataque de domingo (23) à noite ocorreu dias depois de o Haiti ter recebido seu primeiro voo de deportação dos Estados Unidos desde que o governo Trump venceu uma batalha judicial que pôs fim ao Status de Proteção Temporária para cerca de 350 mil haitianos.

Na quinta-feira (27), outro voo chegou com migrantes dos EUA e das Bahamas.

Entretanto, analistas de segurança haitianos alertaram que a entrada maciça de armas ilegais no país está agravando o conflito que já causou mais de 21 mil mortes desde 2022.

A ONU estima que a maioria das armas no Haiti seja originária do sudeste dos Estados Unidos, embora muitas sejam contrabandeadas para o país através da fronteira terrestre com a República Dominicana.

Ratwatte fez um pronunciamento ao Conselho de Segurança juntamente com Carlos Ruiz, chefe do BINUH (Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti), que alertou que, sem melhorias na segurança, os esforços para avançar nos preparativos para as primeiras eleições do país em uma década permanecem "severamente limitados e vulneráveis ​​a contratempos".

Ruiz afirmou que três meninos e duas meninas estavam entre as 47 pessoas mortas no domingo na comunidade de Kenscoff, situada em uma encosta perto da capital Porto Príncipe, onde casas foram incendiadas e pessoas que tentaram escapar foram atacadas dentro de uma igreja.

"Este último episódio devastador serve como um forte lembrete da necessidade urgente de fortalecer ainda mais o apoio internacional à segurança do Haiti", disse Ruiz.

Mandato de forças apoiadas pela ONU está perto do fim

Diplomatas argumentaram que o ataque demonstrou a necessidade de ampliar mais rapidamente o destacamento da força multinacional apoiada pela ONU, cuja missão é auxiliar a polícia no combate às gangues que expandiram enormemente sua influência nos últimos cinco anos.

As autoridades haitianas solicitaram pela primeira vez assistência militar estrangeira em 2022, mas esta demorou a se concretizar, e há um ano a ONU determinou o envio de uma força diferente, maior e mais agressiva, chamada GSF (Força de Supressão de Gangues).

A GSF pretende atingir uma capacidade de 5.500 soldados até o outono deste ano. O Conselho de Segurança votará sobre a renovação do seu mandato no final de setembro.

A representante dos EUA, Jennifer Locetta, pediu ao Conselho de Segurança que renove o mandato.

"A GSF não foi criada para emitir comunicados de dentro de um muro ou gastar nosso dinheiro enquanto o Haiti sofre", disse ela, acrescentando que se mais países oferecessem apoio material à força policial, isso poderia ajudar a combater as gangues com mais eficiência.

"Este ataque é precisamente a razão pela qual a missão e o mandato da Força de Repressão a Gangues, autorizada pela ONU, são importantes", disse ela.

Um representante do governo haitiano afirmou que Chade, Mongólia e Costa do Marfim concordaram em apoiar a força e que estão sendo feitos trabalhos para acordos semelhantes com Sri Lanka, Bangladesh, Jamaica e Guatemala. Os dois últimos países já haviam destacado pessoal em uma versão anterior da força.