Quase metade dos jornalistas mortos em 2025 foi em Gaza, diz relatório
Segundo a organização Repórteres sem Fronteiras, a região foi a mais letal para profissionais da comunicação, seguida pelo México e Sudão

Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, 67 jornalistas foram assassinados no mundo todo em decorrência direta do exercício da profissão. Pelo menos 29 deles eram palestinos na Faixa de Gaza, sendo 43% do total, informou a organização internacional Repórteres sem Fronteiras.
O relatório da RSF publicado nesta terça-feira (9) mostra que além das mortes, pelo menos 503 jornalistas estão presos, 20 são mantidos reféns e 135 estão desaparecidos.
Segundo o documento, Gaza foi a região mais letal para os profissionais da comunicação em decorrência das ações das IDF (Forças de Defesa de Israel), em meio a guerra contra o Hamas.
Em seguida vem o México, com nove mortes (13%), sendo o segundo mais letal, e em terceiro o Sudão, com quatro profissionais assassinados, representando 6% do total.
Do total de 67 jornalistas mortos no último ano, três eram mulheres e 64 homens. Dentre os 503 preso, são 77 mulheres e 422 homens. Já todos os 20 mantidos como reféns são homens e dos 135 desaparecidos nove são mulheres e 126 são homens.
A China é a nação que mais prendeu profissionais, sendo 121. Seguida pela Rússia com 48 e a Birmânia com 47 detidos. O governo do presidente Vladimir Purin mantém atualmente o maior número de jornalistas estrangeiros presos no mundo sendo 26, seguido por Israel com 20.
O relatório revela também dados alarmantes para os países da América Latina, com 14 mortos no total, sendo o México com nove nortes, o país mais letal da região. Colômbia, Equador, Guatemala, Haiti e Honduras contabilizam uma morte cada.
A região também possui um alto número de desaparecimentos: o México lidera com 28 jornalistas desaparecidos. Já nas detenções, pelo menos 26 profissionais estavam presos na América Latina até 1º de dezembro de 2025.
Segundo a organização, as principal causa das mortes foi em decorrência do Exército de Israel (43%), cartéis e crime organizado (24%) e Exército da Rússia (4%).
O número de profissionais mortos no mundo em 2025 é o maior desde 2023, quando 67 também foram registrados, em 2024 caiu para 66.
A RSF aponta que o aumento do número de mortes ocorreu principalmente devido à intensificação de conflitos em zonas de guerra e à atuação violenta do crime organizado, "alimentados por um clima de ódio e impunidade".



