Quatro espadas romanas de 1.900 anos são encontradas em caverna de Israel

Armas bem conservadas estavam protegidas por bainhas e podem ter sido espólio de guerra

O pilo envolto em bainha (topo) e uma das espadas
O pilo envolto em bainha (topo) e uma das espadas Dafna Gazit/Israel Antiquities Authority

Jack Guyda CNN

Um grupo de arqueólogos encontrou quatro espadas romanas e uma lança com cabo, conhecida como “pilo”, numa caverna perto da costa do Mar Morto, em Israel. Os objetos datam de 1.900 anos.

A rara coleção de armas foi achada na Reserva Natural En Gedi, preservada em bainhas de madeira e couro, de acordo com um comunicado da Autoridade de Antiguidades de Israel, publicado na última quarta-feira (6).

“Encontrar uma única espada já é raro, imagine encontrar quatro! É um sonho! Esfregamos os olhos para acreditar”, disseram os pesquisadores.

As armas eram provavelmente espólio de guerra tirado do exército romano pelos rebeldes da Judeia, de acordo com os autores de um artigo publicado na coletânea “New Studies in the Archaeology of the Judean Desert: Collected Papers” (“Novos Estudos na Arqueologia do Deserto da Judeia: Estudos Reunidos”, sem tradução no Brasil).

A primeira evidência — o pilo e pedaços de madeira trabalhada que se revelaram bainhas — foi encontrada por acaso por arqueólogos que estudavam uma inscrição de tinta fragmentada numa estalactite, em uma caverna isolada e inacessível sobre penhascos.

Os arqueólogos Oriya Amichay (direita) e Hagay Hamer (esquerda) com uma das espadas. / Amir Ganor/Israel Antiquities. Authority

Uma investigação mais aprofundada revelou quatro espadas “numa fenda quase inacessível no nível superior da caverna”, disse o comunicado.

As espadas “excepcionalmente bem preservadas” foram encontradas ao lado de peças de couro, madeira e metal. Três das espadas tinham lâminas de ferro dentro de bainhas de madeira, que mediam de 60 a 65 centímetros de comprimento. A quarta tinha 45 centímetros.

Amir Ganor (esquerda), Eitan Klein (centro-esquerda), Oriya Amichay (centro-direita) e Amir Ganor (direita). / Yoli Schwartz/Israel Antiquities Authority.

“O esconderijo das espadas e do pilo em fendas profundas na caverna isolada a norte de En Gedi indica que as armas foram retiradas como espólio de soldados romanos ou do campo de batalha, e propositadamente escondidas pelos rebeldes da Judeia para serem reutilizadas”, relatou Eitan Klein, um dos diretores do Projeto de Pesquisa do Deserto da Judeia.

“Obviamente, os rebeldes não queriam ser apanhados pelas autoridades romanas em posse das armas. Estamos começando a investigação sobre a caverna e o conjunto de armas com o objetivo de tentar descobrir quem era dono das espadas, e onde, quando e por quem foram fabricadas”, acrescentou.

Outras escavações descobriram uma moeda de bronze com o nome de Bar Kokhba que data de 132 a 135 d.C., de acordo com o comunicado. Nessa altura, a revolta liderada por Bar Kokhba, também conhecida como a Segunda Revolta Judaica, era de judeus rebeldes contra o domínio romano na área.

“É uma descoberta grande e empolgante, que toca num momento específico no tempo. Nem todos estão cientes de que as condições climáticas secas do deserto da Judeia permitem a preservação de artefatos que não sobrevivem noutras partes do país”, disse Eli Escudido, diretor da Autoridade de Antiguidades de Israel.

“É uma cápsula do tempo única, em que fragmentos de pergaminhos, moedas da revolta judaica, sandálias de couro e agora até espadas em suas bainhas, afiadas como se tivessem sido escondidas hoje”, concluiu.

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Publicado por Amanda Sampaio, da CNN.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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