Queda de helicóptero deixa dois mortos na Arábia Saudita, diz coalizão

Aeronave caiu devido a uma falha técnica, informou o ministério da Guarda Nacional; os houthis, grupo alinhado ao Irã, afirmaram ter darrubado um helicóptero na mesma cidade

Ahmed Tolba e Christopher Cushing, da Reuters

Um helicóptero de reconhecimento AH-6i caiu na região de Najran, na Arábia Saudita, matando seus dois tripulantes, informou o porta-voz da coalizão liderada pelo reino, o major-general Turki al-Maliki, em comunicado neste domingo (18).

O helicóptero caiu devido a uma falha técnica em uma área sob a jurisdição do Ministério da Guarda Nacional Saudita, acrescentou o comunicado.

Os houthis do Iêmen, grupo alinhado com o Irã, divulgaram ainda neste domingo imagens do que afirmaram ser um helicóptero AH-6i saudita abatido por um míssil enquanto realizava o que descreveram como atividades hostis perto de Najran.

As imagens não mostravam claramente o acidente, e a Reuters não conseguiu verificar imediatamente a alegação dos houthis. Não houve comentário imediato das autoridades sauditas.

No sábado (17), o porta-voz militar houthi, Yahya Saree, disse na rede social X que o grupo havia abatido um helicóptero Apache saudita perto de Najran. Não ficou claro se isso se referia ao mesmo acidente.

Al-Maliki comentou a postagem de Saree no domingo com uma foto de vários Apaches alinhados, dizendo: “Vocês afirmam ter derrubado o helicóptero, mas ele entrará no campo de batalha em breve.”

Separadamente, a defesa civil saudita informou no domingo que seis pessoas ficaram feridas depois que um projétil, que, segundo a instituição, foi disparado pelos houthis, caiu em uma área residencial em Najran.

Najran tem sido alvo de ataques dos houthis nas últimas semanas, à medida que os combates entre a coalizão e o grupo com base no Iêmen se intensificaram, com o conflito no Iêmen se tornando mais uma frente na guerra liderada pelos EUA contra o Irã.

Arábia Saudita avalia ação militar após impasse com Houthis

Os ataques dos Houthis à Arábia Saudita envolvem mais do que o Iêmen.

Ao atacar infraestruturas e atrapalhar eventos de investimento essenciais para as ambições econômicas do país, os Houthis pretendem pressionar o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman a atender às exigências do grupo no Iêmen e a persuadir o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a flexibilizar o bloqueio norte-americano que sufoca a economia do Irã, segundo fontes sauditas, iranianas e regionais.

A campanha reflete uma avaliação do Irã e dos Houthis de que a prosperidade da Arábia Saudita, suas ambições de investimento e sua exposição a perturbações a tornam um ponto de pressão vulnerável em um confronto que se estende do Estreito de Ormuz, na foz do Golfo, até Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.

O Irã, sob crescente pressão econômica e militar após a guerra iniciada pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro, busca aumentar o custo da estratégia de Washington ao atacar seus parceiros regionais, afirmou Michael Knights, da consultoria estratégica Horizon Engage.

“Os iranianos estão em uma situação de estrangulamento”, disse ele.

Incapazes de forçar Washington a mudar de rumo diretamente, Teerã e os Houthis estão “atacando a Arábia Saudita, estão atacando o ponto fraco”, acrescentou ele, explorando a vulnerabilidade econômica do reino e seu desejo de estabilidade.

Os Houthis têm interesse direto em amenizar o bloqueio dos EUA ao Irã, seu principal apoiador regional.

Uma redução da pressão sobre Teerã provavelmente fortaleceria sua capacidade de manter o apoio político, financeiro e militar, bem como o fluxo de armas e dinheiro dos quais, segundo os EUA, o movimento depende.

Mas os Houthis também têm suas próprias exigências, afirmaram duas fontes sauditas e três fontes regionais familiarizadas com o pensamento saudita: o fim das operações militares sauditas e das restrições aos portos e aeroportos iemenitas, voos regulares para o Irã, restabelecimento do pagamento de salários, indenização de guerra e o fim do apoio de Riade ao governo reconhecido do Iêmen.

Suas condições consolidariam o domínio Houthi sobre grande parte do Iêmen.

Uma autoridade sênior iraniana afirmou que os ataques Houthis fazem parte de uma estratégia mais ampla do Irã e de seus aliados para reestruturar o equilíbrio de poder regional, tendo como alvo a infraestrutura energética e as principais rotas marítimas.

Ele disse que Riade não pode contar com a proteção dos EUA e precisa, em vez disso, buscar negociações, acrescentando que os ataques Houthis continuariam a menos que as restrições sauditas fossem suspensas.

A estratégia, no entanto, coloca Mohammed bin Salman diante de um dilema, afirmam fontes familiarizadas com o pensamento saudita.

A escalada arrisca uma guerra mais ampla que poderia minar sua agenda de transformação, mas as concessões correm o risco de fortalecer um movimento que há anos desafia o poder saudita.