Quem é Madison Cawthorn, deputado que está gerando caos no Partido Republicano

Membro mais jovem do Congresso dos EUA provocou alvoroço depois de afirmar que pessoas em Washington o convidaram para participar de orgias

Madison Cawthorn foi eleito em 2020, e suas declarações têm gerado polêmicas nos EUA
Madison Cawthorn foi eleito em 2020, e suas declarações têm gerado polêmicas nos EUA Saul Loeb - Pool/Getty Images

Marshall CohenAlex RogersManu RajuMelanie Zanonada CNN

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O deputado norte-americano Madison Cawthorn – republicano em primeiro mandato que representa o 11º distrito da Carolina do Norte na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos – tornou-se nas últimas semanas o centro do caos dentro do seu partido.

Aos 26 anos, o membro mais jovem do Congresso provocou alvoroço no Partido Republicano depois de afirmar em um podcast que pessoas em Washington o convidaram para participar de orgias e usaram cocaína na frente dele.

Foi o último incidente em uma série de controvérsias em torno de Cawthorn, entre elas chamar o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de “bandido” e o governo ucraniano de “incrivelmente mau”.

Os comentários do político novato, que enfrentou acusações em março por dirigir com a carteira suspensa pela segunda vez em cinco anos, atraíram a ira de membros de seu próprio partido.

A CNN informou na quarta-feira (30) que o senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, está apoiando um dos principais oponentes de Cawthorn.

É um ataque extraordinário contra um colega republicano de seu estado natal, já que a frustração interna com o controverso deputado apoiador de Donald Trump chegou ao ponto de ebulição.

De acordo com várias fontes, outros congressistas do Partido Republicano que estão no limite da paciência com Cawthorn também estão considerando endossar um de seus adversários, em meio a crescentes preocupações de que o republicano da Carolina do Norte esteja prejudicando todo o partido com seu comportamento problemático.

Na noite de sexta-feira (1º), Cawthorn gerou sua última controvérsia em uma declaração no Twitter, culpando a mídia e a esquerda e prometendo “continuar lutando por muitos anos”.

Nas primárias estaduais em 17 de maio, Cawthorn enfrentará vários oponentes, incluindo o senador estadual Chuck Edwards, a quem Tillis disse estar endossando, Michele Woodhouse, autodenominada “empresária e ativista política”, Bruce O’Connell, operador do ramo de hotéis e restaurantes, Rod Honeycutt, coronel aposentado do Exército dos EUA, Matthew Burril, empresário e líder econômico local e Wendy Nevarez, uma veterana da Marinha.

Os adversários de Cawthorn estão tentando tirar proveito de suas inúmeras controvérsias, incluindo seu discurso em 6 de janeiro de 2021, no qual ele instou os participantes do comício “Save America” do então presidente Donald Trump a contestar a eleição, levando à invasão do Capitólio.

Polêmico desde o início

Cawthorn – que ficou parcialmente paralisado em um acidente de carro em 2014 e era proprietário de uma empresa de investimentos imobiliários, além de palestrante motivacional, antes de ingressar no Capitólio – causou furor antes mesmo de circular pelos corredores do Congresso.

Em 2020, ele teve uma virada política impressionante quando ganhou a indicação do Partido Republicano para a cadeira do então chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, apesar de Trump endossar um de seus oponentes do Partido Republicano.

Depois de vencer o segundo turno das primárias, o jovem republicano (que completou 25 anos antes da eleição geral, tornando-o elegível para servir na Câmara) recebeu o apoio de Trump e foi elogiado por seu carisma e apelo aos eleitores mais jovens.

“Ele tem 24 anos, é dinâmico, conseguiu articular a capacidade de chegar aos eleitores mais jovens. Já o ouvi ser referido por alguns como ‘O AOC [a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez] da direita’. Não sei se isso será verdade, mas acho que a parte geracional também é fundamental aqui”, disse Chris Cooper, professor de ciência política da Western Carolina University após a vitória primária de Cawthorn.

No entanto, Cawthorn ficou na defensiva depois que fotos de uma viagem que ele fez em 2017 à casa de férias de Adolf Hitler surgiram no Instagram.

Ele escreveu que a visita estava em sua “lista de desejos por algum tempo” e “não decepcionou”.

Alegações de assédio sexual e má conduta contra o deputado por várias mulheres quando ele estava na faculdade também vieram à tona depois que ele começou sua carreira política. De sua parte, Cawthorn disse: “Nunca fiz nada sexualmente inapropriado na minha vida”.

Mentiras eleitorais

Cawthorn se tornou um aliado próximo de Trump e votou para anular os resultados das eleições presidenciais de 2020.

Desde então, no entanto, o congressista da Carolina do Norte se contradisse quando se trata de suas declarações sobre as eleições de 2020.

Em janeiro de 2021, Cawthorn admitiu que não houve fraude nas eleições de 2020, depois de votar pela objeção aos votos eleitorais do Arizona e da Pensilvânia quando o Congresso se reuniu para certificar a vitória do então presidente eleito Joe Biden.

“Sim, acho que a eleição não foi fraudulenta”, disse ele à CNN na época. “Sabe, a Constituição permitiu que pudéssemos recuar o máximo que pudéssemos e eu fiz isso com a quantidade de limites constitucionais que eu tinha à minha disposição. Então agora eu diria que Joseph R. Biden é nosso presidente”.

No entanto, em agosto passado, Cawthorn sugeriu que poderia haver “derramamento de sangue” em eleições futuras e fez falsas alegações sobre segurança e fraude eleitoral.

Falando em um evento republicano em um condado da Carolina do Norte, Cawthorn repetiu a mentira sobre os sistemas eleitorais dos Estados Unidos serem “manipulados” e “roubados”, algo que ele afirmou que “levaria a um lugar, e isso é derramamento de sangue” se continuasse.

“Por mais que eu esteja disposto a defender nossa liberdade a todo custo, não há nada que eu tema fazer mais do que pegar em armas contra um compatriota americano. E a maneira como podemos recorrer contra isso é se todos exigirmos apaixonadamente que tenhamos segurança eleitoral em todos os 50 estados”, disse o republicano na época.

Na ocasião, o porta-voz de Cawthorn, Luke Ball, disse à CNN em um comunicado: “O congressista Cawthorn está CLARAMENTE defendendo que a violência não ocorra por questões de integridade eleitoral”.

“Ele teme que outros escolham erroneamente esse caminho e afirma veementemente que as questões de integridade eleitoral devem ser resolvidas pacificamente e nunca por meio da violência”, escreveu.

Ball sustentou em agosto que “as opiniões do congressista Cawthorn sobre a eleição de 2020 permaneceram consistentes”.

Em fevereiro, Cawthorn entrou com um processo para encerrar os esforços de ativistas liberais para desqualificá-lo de concorrer ao Congresso por causa de seu papel na insurreição de 6 de janeiro.

Cawthorn falou no comício de Trump em 6 de janeiro de 2021 e postou tuítes militantes no período que antecedeu o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos

No processo, os advogados do grupo Free Speech For People disseram que Cawthorn essencialmente auxiliou e encorajou a insurreição, e deveria ser desqualificado do cargo porque ele “estava envolvido em esforços para intimidar o Congresso e o vice-presidente a rejeitar votos eleitorais válidos e subverter o essencial função constitucional de uma transição de poder ordenada e pacífica”.

No início de março, um juiz federal encerrou o caso à candidatura de Cawthorn, mas os ativistas liberais, juristas e republicanos anti-Trump que se opõem a Cawthorn pediram ao Tribunal de Apelações do Quarto Circuito para intervir e reativar o processo.

Daniel Dale, Kate Sullivan, Dianne Gallagher, Kelly Mena, Caroline Kenny e Paul LeBlanc da CNN contribuíram para esta reportagem.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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