Quem é o magnata da "frota fantasma" iraniana que está na mira dos EUA?

Washington amplia sanções contra Mohammad Hossein Shamkhani, acusado de comandar uma rede de transporte de petróleo que movimenta bilhões de dólares para Teerã e Moscou

Lex Harvey, da CNN
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Enquanto as Forças Armadas dos Estados Unidos restabeleceram na terça-feira (14) o bloqueio aos portos iranianos, o governo americano ampliou sua campanha de pressão econômica contra Teerã ao aumentar as sanções contra um dos mais conhecidos magnatas do petróleo do Irã.

O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou uma nova rodada de sanções contra indivíduos, empresas e embarcações ligadas a Mohammad Hossein Shamkhani, considerado uma figura central na rede da chamada "frota fantasma", responsável por gerar bilhões de dólares em receitas com petróleo para Moscou e Teerã.

A rede operada por Shamkhani, cujo pai foi uma importante autoridade de segurança no Irã, é uma das "engrenagens mais lucrativas" do regime iraniano, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Ele já é alvo de pesadas sanções impostas pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pelo Reino Unido.

Shamkhani, que também usa o pseudônimo Hugo Hayek, nasceu em Teerã e anteriormente também tinha cidadania do país caribenho Dominica, segundo o OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA). Dominica é acusada de vender passaportes a fugitivos e revogou a cidadania de Shamkhani no ano passado após pressão internacional.

Ele é filho de Ali Shamkhani, ex-chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e principal assessor do líder supremo iraniano morto, o aiatolá Ali Khamenei. Tanto Ali Shamkhani quanto Khamenei morreram no mesmo ataque realizado por Estados Unidos e Israel no primeiro dia da guerra com o Irã.

Segundo o OFAC, o jovem Shamkhani teria usado a influência política do pai para construir e operar uma frota de navios-tanque usada para transportar petróleo sancionado do Irã e da Rússia. De acordo com o órgão americano, o império empresarial dele se expandiu para os setores de transporte marítimo e comércio de commodities.

Shamkhani e seu irmão, Abolfazl, teriam usado os pseudônimos "Hayek" e passaportes de Dominica para acumular cerca de US$ 29 milhões em imóveis de luxo em Dubai, segundo uma investigação do OCCRP (Organized Crime and Corruption Reporting Project). O projeto informou que Dominica revogou a cidadania de Abolfazl em março.