Rascunhos de possível acordo entre EUA e Irã estão "circulando", diz Catar

Porta-voz catarense afirma que esforços continuam em busca de solução apesar de declarações divergentes dos dois países

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Os esforços para resolver o conflito entre os Estados Unidos e o Irã estão em "estágios bastante avançados", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, nesta terça-feira (4), acrescentando que minutas de um possível acordo estão "circulando".

Questionado sobre declarações divergentes de autoridades americanas e iranianas a respeito da existência ou não de negociações em curso, al-Ansari afirmou: "Podemos confirmar que os esforços continuam com todas as partes. Estamos buscando uma solução diplomática neste exato momento".

Há "esforços em andamento no terreno" para resolver a crise que se encontram em "estágios bastante avançados", disse al-Ansari. "Estamos trabalhando com todas as partes para concretizar esse esforço. Portanto, posso confirmar que os esforços estão em andamento neste exato momento.”

Países de toda a região estão “trabalhando juntos para resolver essa questão”, disse o porta-voz, acrescentando que o Catar está coordenando ações “em estreita colaboração” com Omã para “facilitar as negociações entre as duas partes, bem como a troca de ideias e de minutas de propostas entre elas”.

“Rascunhos estão sendo constantemente trocados... Posso dizer que já foi redigido um texto referente a um possível acordo e que ele está circulando entre as partes”, disse ele.

O foco atual dos mediadores é encontrar uma “solução de curto prazo” que leve Washington e Teerã de volta à mesa de negociações, afirmou al-Ansari, ressaltando que, “neste momento, não há nada concreto em pauta no que diz respeito a conversas diretas”.

“Estamos esperançosos de que, se conseguirmos retomar as negociações em breve, poderemos avançar rumo a um acordo abrangente que nos ajude a retornar a um cenário de paz em nossa região”, disse ele aos jornalistas.

Relembre como começou a guerra no Irã

No dia 28 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um ataque "de grande escala" ao Irã, afirmando que o principal objetivo do país era "defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano".

Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear de Teerão – um ponto de atrito recorrente que também tem dificultado as negociações mais recentes para pôr fim aos combates.

Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã — que resultaram na morte do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — causaram milhares de mortes em todo o país e danos a dezenas de museus, edifícios históricos e sítios culturais, segundo veículos de imprensa e autoridades iranianas.

Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Semanas antes do início da guerra, o governo Trump realizou o maior acúmulo militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, desencadeando alertas sobre a escalada da violência regional caso um conflito eclodisse.

Ao mesmo tempo, enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um possível novo acordo nuclear. Mas essas negociações não foram capazes de evitar uma ação militar, com Trump acusando o Irã na época de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”.

O início da guerra em fevereiro também ocorreu após protestos em massa contra o regime no Irã no mês anterior, alimentados pelo descontentamento econômico em meio ao aumento vertiginoso dos custos.

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