Reconhecimento russo de regiões separatistas da Ucrânia só é apoiado por Venezuela e Síria

Movimento de Moscou tem sido condenado amplamente pela comunidade internacional

Nicolas Maduro e Vladimir Putin em encontro de 2018
Nicolas Maduro e Vladimir Putin em encontro de 2018 Reuters

Renan de Souzada CNN

São Paulo

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Em meio à tensão entre Rússia e Ucrânia, Nicolás Maduro disse nesta terça-feira (22) que a “Venezuela está com Putin e com a Rússia”. O presidente venezuelano ainda disse “rejeitar planos de cercar a Rússia militarmente”. As declarações foram dadas durante uma reunião com os ministros de governo exibida pela TV estatal da Venezuela.

Maduro ainda afirmou que os Acordos de Minsk – que firmaram o cessar-fogo no leste da Ucrânia em 2014 – “foram quebrados pela elite neofascista do governo ucraniano, que está alinhado incondicionalmente com as elites dos Estados Unidos e da Europa”.

Mais cedo, a Síria também anunciou que apoia a decisão da Rússia de reconhecer as duas regiões separatistas no leste da Ucrânia. “O que o ocidente está fazendo contra a Rússia é igual ao que fizeram contra a Síria”, afirmou Faisal Mekdad, ministro de Relações Exteriores sírio.

O país ainda afirmou que já tinha planos de reconhecer Donetsk desde o ano passado. “A Síria afirma que está pronta para trabalhar na construção de relações com as repúblicas de Luhansk e Donetsk e fortalecê-las com interesses mútuos”, afirmou um comunicado do governo.

O movimento dos dois países vai na contramão da comunidade global, mas não é uma surpresa. No caso sírio, o país tem sido um firme aliado de Moscou desde que a Rússia iniciou uma campanha militar na Síria em 2015 que ajudou a mudar o rumo da devastadora guerra civil a favor do ditador Bashar al-Assad. Vladimir Putin, inclusive, já esteve na Síria em apoio direto à Assad.

Já no caso da Venezuela, a nação é um dos principais aliados geopolíticos de Moscou. Os dois países têm uma forte aliança econômica e militar, com a Rússia investindo bilhões de dólares nos setores de energia e defesa venezuelanos. No início deste mês, o vice-primeiro-ministro russo Yuri Borisov se encontrou com Maduro em Caracas. Os dois fecharam uma parceria de cooperação militar-estratégica.

Além de fatores geopolíticos e econômicos, Nicolás Maduro e Bashar al-Assad estão no poder há anos e sofrem sanções de países ocidentais. Por isso, se apoiam nos ombros de Putin para se manter no poder e enfrentar o que consideram ameaças do ocidente.

Visão global

Majoritariamente, a comunidade internacional não tem se posicionado a favor do reconhecimento das regiões separatistas no leste da Ucrânia. O motivo tem origem no direto internacional e nos princípios de fundação da Carta das Nações Unidos.

O artigo 2 afirma que a ONU é baseada no “princípio de soberania equalitária para todos os seus Membros”. Além disso, todos os signatários têm que “se abster de ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado”.

A Organização das Nações Unidas tem como uma de suas missões fundamentais manter a paz e a segurança, além de tomar ações coletivas para prevenir e remover riscos a esses objetivos.

Ou seja, neste sentido, um apoio internacional ao movimento do Kremlin abriria a possibilidade para ações desestabilizadoras ou belicosas no mundo podendo levar a conflitos territoriais, por exemplo. Por isso, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, foi enfático nesse ponto.

“Me deixe ser bastante claro, a decisão da Federação Russa de reconhecer a chamada independência de certas áreas de Donetsk e Luhansk é uma violação da integridade territorial e soberania da Ucrânia”, disse ele que ainda acrescentou que o mundo está enfrentando a maior crise de segurança global e paz dos últimos anos.

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