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Reino Unido fecha compromissos com a China na tentativa de evitar Trump

Países historicamente aliados dos Estados Unidos buscam maneiras de diversificar economia diante de incertezas geradas pela Casa Branca

Danilo Cruz, da CNN Brasil, em São Paulo
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Reino Unido e China assinaram nesta quinta (29) uma série de compromissos para maior integração comercial e econômica entre os dois países após reuniões entre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o presidente chinês, Xi Jinping.

Entre as medidas estão: o comprometimento da farmacêutica britânica AstraZeneca de realizar US$ 15 bilhões em investimentos na China; a redução de tarifas para a entrada de uísque escocês em território chinês e um facilitador para empresas britânicas operarem em Pequim.

Essa foi a primeira visita de um chefe de governo do Reino Unido à China desde 2018. Acompanhado de empresários, o premiê afirmou que ambas as nações devem buscar objetivos comuns, enquanto preservam suas diferenças.

"A China é um ator vital no palco mundial e é vital que nós construamos uma relação mais sofisticada, onde possamos identificar oportunidades para colaborar - mas que permita um diálogo onde discordamos", disse o britânico.

Já Xi Jinping apontou que a China está pronta para desenvolver uma parceria longa com o Reino Unido e que líderes precisam confrontar dificuldades quando um assunto serve aos interesses fundamentais do país e da população.

Starmer não é o primeiro grande aliado dos Estados Unidos a passar por Pequim em janeiro. Antes dele, o premiê canadense, Mark Carney, se encontrou com Xi Jinping, também para fechar cooperações comerciais. O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, será o próximo - mas ainda não tem data definida para a visita.

Esse movimento de aliados históricos dos Estados Unidos ocorre após uma série de instabilidades políticas e comerciais causadas pelo presidente americano, Donald Trump. Diante da imprevisibilidade americana, eles tentam encontrar algum alento na China e em outros países.

Trump rechaçou o movimento desses países. Questionado por jornalistas, ele disse que uma aproximação com a China "é muito perigosa" para os britânicos e que a segunda maior economia do mundo "não é a resposta".

Anteriormente, Trump também ameaçou os canadenses com tarifas de 100% em caso de acordo com Pequim.