Reino Unido rejeita falas de Israel sobre "recompensar Hamas"

País possui planos para reconhecer Estado Palestino, gerando críticas do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu

Andrew MacAskill, William James, Muvija M e Aiden Nulty, da Reuters
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O Reino Unido rejeitou as críticas israelenses nesta quarta-feira (30) de que estava recompensando o grupo Hamas ao estabelecer planos para reconhecer um Estado palestino, a menos que Israel tomasse medidas para melhorar a situação em Gaza e trazer a paz.

O ultimato do primeiro-ministro Keir Starmer, estabelecendo um prazo para setembro, provocou a repreensão imediata do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que falou que o acordo recompensava o Hamas e punia as vítimas do ataque dos combatentes em 2023, que desencadeou a guerra.

Donald Trump, presidente dos EUA, também afirmou que não acha que o grupo "deva ser recompensado" com o reconhecimento da independência palestina.

Mas a ministra britânica dos Transportes, Heidi Alexander — designada pelo governo para responder a perguntas da imprensa nesta quarta-feira (30) — disse: "Isso não é uma recompensa para o Hamas."

"O Hamas é uma organização terrorista desprezível que cometeu atrocidades terríveis. Isso diz respeito ao povo palestino. Trata-se daquelas crianças que vemos em Gaza, que estão morrendo de fome", disse Alexander.

"Precisamos aumentar a pressão sobre o governo israelense para suspender as restrições e devolver a ajuda a Gaza", acrescentou.

A decisão de Starmer segue a do presidente francês Emmanuel Macron, que anunciou na semana passada que Paris reconheceria o Estado palestino em setembro, tornando-se a primeira grande potência ocidental a fazê-lo, devido às terríveis condições humanitárias no território.

Anteriormente, o Reino Unido e a França, assim como outros países do ocidente, haviam se comprometido com a independência palestina, mas como um objetivo que só seria alcançado após a conclusão das negociações com Israel.

Em um discurso televisionado na terça-feira (29), o primeiro-ministro britânico disse que se tornou necessário agir porque a perspectiva de uma solução de dois Estados estava agora ameaçada.

Starmer disse que o Reino Unido tomaria a iniciativa na Assembleia Geral da ONU em setembro, a menos que Israel tomasse medidas substanciais para permitir mais ajuda a Gaza, deixasse claro que não anexaria a Cisjordânia e se comprometesse com um processo de paz de longo prazo que resultasse em uma solução de dois Estados.

O impacto mais imediato do reconhecimento do estado palestino pelo Reino Unido pode representar uma melhoria nas relações diplomáticas, segundo uma autoridade do governo britânico.