Relato de jornalista expõe marcas da violência do regime de Nicolás Maduro
Repórter cinematográfico Jesus Medina foi preso 11 vezes e torturado em um presídio na Venezuela; em entrevista à CNN, fala sobre a realidade de profissionais da imprensa que vivem sob censura e medo
A repressão ao trabalho da imprensa na Venezuela tem marcado profundamente a rotina de jornalistas no país. Em 2019, quando a situação já era de extrema tensão, quase 80 profissionais de imprensa foram detidos e muitos acabaram deixando o país em busca de proteção contra a perseguição do regime de Nicolás Maduro.
Um dos casos mais emblemáticos é o de Jesus Medina, repórter cinematográfico que foi preso 11 vezes e passou quase dois anos em um dos piores presídios da Venezuela. Em relato à CNN, Medina revelou ter sido torturado durante sua detenção.
"Estas cicatrizes que eu tenho no corpo não são só minhas, são cicatrizes de uma nação. Eu sou parte de um elo do que aconteceu com milhões de venezuelanos", declarou Jesus Medina à CNN.
"Sou uma amostra física e tenho uma voz onde me podem escutar, mas há milhares atrás que não podiam ser escutados. Há milhares de mortes que não puderam desfrutar sua vida na Venezuela", completou.
Jornalistas sob vigilância constante
Jesus Medina foi preso após denunciar abusos cometidos em um presídio venezuelano. Depois de solto, o repórter cinematográfico passou a viver em diferentes lugares para tentar escapar da vigilância do governo. Atualmente, Medina vive na Colômbia, pois teme por sua vida caso retorne à Venezuela.
Durante conversa com a CNN, após as eleições venezuelanas, Jesus Medina expressou esperança, mas também incerteza sobre o futuro.
"Estou feliz, estou aliviado. Fomos às ruas aqui na Colômbia, em Bogotá, onde estou vivendo, comemorar ao lado de venezuelanos, mas preciso saber o que vai acontecer. Meu desejo não é morar na Colômbia, meu desejo é morar na Venezuela, quero voltar para o meu país", afirmou.
Já a vida dos jornalistas na Venezuela é comparada a uma guerra pelo repórter Renan Fiuza, da CNN, que esteve no país em 2020.
"Estes jornalistas viviam com medo, medo simplesmente porque tinham os telefones grampeados", explicou.
"Eram monitorados pelo serviço de segurança e eram presos", acrescentou.
Fiuza destacou que os canais de televisão da Venezuela transmitem apenas conteúdo estatal, maquiando a realidade e silenciando vozes críticas. Pelo menos 40 veículos de imprensa, incluindo internet, televisão e rádio, foram fechados em 2019, deixando redações vazias e profissionais sem trabalho ou exilados.


