República Dominicana adia Cúpula das Américas em meio a tensões no Caribe

Governo dominicano anunciou decisão após "análise cuidadosa da situação na região"

Da CNN em Espanhol
Bandeira da República Dominicana  • Reprodução
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O Ministério das Relações Exteriores da República Dominicana anunciou nesta segunda-feira (3) que a décima edição da Cúpula das Américas, que aconteceria em dezembro no país caribenho, foi adiada para 2026.

“Após uma análise cuidadosa da situação na região, o governo dominicano decidiu adiar para o próximo ano a realização da Décima Cúpula das Américas”, diz o comunicado de imprensa da chancelaria dominicana.

“Essa medida foi acordada com nossos parceiros mais próximos, incluindo os Estados Unidos, idealizador original deste fórum, e outros países-chave”, afirma o texto, acrescentando que também foram consultados o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) e o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“Em 2022, no momento em que assumimos a responsabilidade de sediar a Cúpula das Américas, eram imprevisíveis as profundas divergências que atualmente dificultam um diálogo produtivo nas Américas. A essa situação soma-se o impacto causado pelos recentes eventos climáticos que afetaram gravemente vários países do Caribe”, conclui.

O comunicado não informa uma nova data nem oferece mais detalhes sobre a organização da Cúpula em 2026.

O evento, que reúne a cada três anos os líderes políticos do continente desde 1994, seria realizado em Punta Cana entre 1º e 5 de dezembro, sob o lema “Construindo um Hemisfério Seguro, Sustentável e de Prosperidade Compartilhada”.

A última Cúpula das Américas ocorreu em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2022, e foi marcada pela decisão de Washington de não convidar Cuba, Nicarágua e Venezuela sob a justificativa de que esses países têm histórico de violações de direitos humanos. A decisão gerou críticas entre os países que participaram.

De forma semelhante, a República Dominicana informou em setembro que também não convidaria Cuba, Nicarágua e Venezuela para “favorecer a maior participação e garantir o desenvolvimento do fórum”, observando que esses países “decidiram não fazer parte da OEA e tampouco participaram da última edição da Cúpula das Américas”.

Em consequência dessa decisão, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou em meados de outubro que não participaria do evento. “Não comparecerei à Cúpula das Américas na República Dominicana. O diálogo não começa com exclusões”, declarou no X.

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