Republicana culpa não vacinados pelo aumento de casos de Covid-19 no Alabama

"São as pessoas não vacinadas que estão nos decepcionando", afirmou a governadora do Alabama, Kay Ivey

Mike Pence tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19
Mike Pence tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19 Foto: CNN Brasil (18.dez.2020)

Veronica Stracqualursi, da CNN

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A governadora republicana do Alabama, Kay Ivey, culpou nesta quinta-feira (22) “o pessoal não vacinado” pelo aumento de casos da Covid-19 em seu estado.

O apelo se torna notável em um momento em que muitos líderes do Partido Republicano se recusam a pedir às pessoas que sejam vacinadas contra a Covid-19 mesmo com muitos novos casos surgindo nos EUA.

“As pessoas deveriam ter bom senso. Mas é hora de começar a culpar as pessoas não vacinadas, não as normais. São as pessoas não vacinadas que estão nos decepcionando”, disse Ivey a repórteres em Birmingham.

O Alabama é o estado menos vacinado do país, com cerca de 33,9% dos residentes totalmente vacinados, de acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. A média de casos diários de Covid-19 no Alabama é quase o dobro do que eram há uma semana, e mais de quatro vezes mais do que eram há duas semanas.

Questionada por repórteres sobre os planos de emitir um mandato de máscara ou outras restrições agora que os casos de Covid estão começando a aumentar novamente em seu estado, Ivey respondeu: “Os novos casos de Covid são por causa de pessoas não vacinadas. Quase 100% das novas hospitalizações são com pessoas não vacinadas. E as mortes certamente estão ocorrendo com pessoas não vacinadas. “

Os não vacinados, disse Ivey, estão “escolhendo um estilo de vida horrível de dor autoinfligida”.

“Precisamos fazer com que as pessoas tomem a injeção”, ela continuou, chamando a vacina de “a maior arma que temos para lutar contra a Covid”.

O Alabama recebeu bilhões em fundos de ajuda federal do pacote de estímulo aprovado pelo Congresso e assinado pelo presidente Joe Biden no início deste ano.

O estado ofereceu alguns pequenos incentivos para a vacinação, incluindo duas voltas ao redor da Superspeedway de Talladega em maio. Mas, ao contrário de outros estados, o Alabama não usou o dinheiro do alívio federal para um programa de incentivo, bolsas de estudo ou loterias, informou o AL.com.

Governadora republicana do Alabama, Kay Ivey
Governadora republicana do Alabama, Kay Ivey
Foto: Vasha Hunt/AP

No início deste mês, Ivey disse que não havia necessidade de um plano de incentivo à vacinação.

Na quinta-feira, Ivey insistiu que fez “tudo” para administrar a situação. Quando questionada sobre o que seria necessário para que mais pessoas tomassem as vacinas, ela respondeu: “Não sei, diga-me você.”

Ivey encerrou o mandato da máscara do estado em abril, na época favorecendo a responsabilidade pessoal em vez de um mandato do governo. O CDC anunciou em maio que as pessoas totalmente vacinadas não precisariam mais usar máscaras.

Mas agora com a propagação da variante Delta, os especialistas estão dizendo que as pessoas vacinadas e não vacinadas devem usar máscaras em áreas onde os casos de Covid-19 são altos, mas as taxas de vacinação são baixas.

Ivey na quinta-feira foi questionada por um repórter o que seria necessário para implementar um mandato de máscara e respondeu que “Eu quero que as pessoas sejam vacinadas” e “por que queremos mexer apenas com coisas temporárias?”

A governadora disse que recebeu as duas doses da vacina contra a Covid em dezembro.

“É seguro, é eficaz, os dados comprovam que funciona, não custa nada. Salva vidas”, afirmou.

Questionada se ela recomendaria que crianças muito novas para serem vacinadas usassem uma máscara quando voltassem para a escola, Ivey disse que a decisão caberia aos distritos escolares.

O secretário de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse nesta sexta-feira (23) que “entendemos a frustração [de Ivey]” sobre os bolsões de resistência à vacina.

“Não acho que nosso papel seja culpar, mas o que podemos fazer é fornecer informações precisas às pessoas que ainda não foram vacinadas sobre os riscos que estão incorrendo não apenas entre si, mas também para as pessoas ao seu redor”, disse Psaki.

Questionado se o governo federal deveria emitir mandatos de vacinas, Psaki respondeu: “O nosso papel e o que vamos continuar a fazer é disponibilizar a vacina, vamos continuar a trabalhar em parceria para combater a desinformação, e nós vamos continuar a defender e trabalhar em parceria com as autoridades locais e vozes de confiança para divulgar a mensagem.”

Nos últimos dias — em meio a picos que ocorreram principalmente em estados que o ex-presidente Donald Trump venceu em 2020 — um número crescente de republicanos e figuras conservadoras da mídia pediram aos americanos que recebessem a vacina após meses recusando-se a pressionar o assunto.

Mas muitos líderes republicanos ainda não dizem publicamente se estão vacinados e o próprio Trump lançou a vacina em termos políticos, sugerindo que as pessoas não a estão tomando porque “não confiam no governo [de Biden]”.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês).

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