Resposta do Irã contra Israel começou, diz mídia estatal
Imprensa afirmou que centenas de mísseis foram lançados; explosão foi ouvida em Tel Aviv

A IRNA, mídia estatal do Irã, afirmou que a resposta do país após os ataques israelenses começou. Segundo a agência, centenas de mísseis balísticos foram lançados contra Israel.
Um vídeo de Tel Aviv mostrou foguetes atingindo o Domo de Ferro de Israel e fumaça subindo em meio aos arranha-céus. Explosões foram ouvidas na cidade, assim como em Jerusalém, segundo equipes da CNN na área.
"Há pouco tempo, as FDI [Forças de Defesa de Israel] identificaram mísseis lançados do Irã em direção ao território do Estado de Israel. Sistemas de defesa estão operando para interceptar a ameaça", afirmou o Exército.
A Guarda Revolucionária do Irã disse que realizou ataques contra dezenas de alvos em Israel.
De acordo com o grupo, os alvos incluem centros militares e base aéreas. A operação foi chamada "Promessa Verdadeira 3".
Líder supremo do Irã fala em guerra
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou em um comunicado que Israel iniciou uma guerra e afirmou que não será permitido realizar "ataque e fuga" sem consequências graves.
"O regime sionista (Israel) não sairá ileso das consequências de seu crime. A nação iraniana deve ter a garantia de que nossa resposta não será mediana", disse Khamenei.
Entenda o motivo de Israel atacar o Irã agora
Israel escolheu atacar o Irã neste momento porque entendeu que o regime dos aiatolás está mais vulnerável do que nunca — e que a oportunidade para agir estava se esgotando.
O cálculo israelense considerou fatores internos e externos que colocaram o regime dos aiatolás em uma posição de fragilidade inédita.
Além disso, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu decidiu agir antes que negociações entre Irã e Estados Unidos pudessem de fato levar a um acordo para suspender a criação de uma bomba atômica iraniana.
Para o governo israelense, esta era uma oportunidade de ouro para deter o desenvolvimento do programa nuclear do país rival com menor risco de retaliação coordenada por Teerã e pelas milícias apoiadas pelo regime no Oriente Médio.
Nos últimos meses, todos os principais aliados dos iranianos na região sofreram derrotas sucessivas em confrontos com Israel — que contou com o apoio, inclusive militar, das principais potências ocidentais em suas guerras.
Esses aliados eram considerados chave para pressionar Israel e agir como primeira linha de frente na defesa do Irã, mas estão todos nas cordas neste momento.
Aliados do Irã enfraquecem
O Hezbollah, que era a principal força militar não-estatal do Oriente Médio, perdeu sua liderança, milhares de combatentes e boa parte de seu arsenal em bombardeios no sul do Líbano.
Na Síria, a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024 e ataques pesados contra milícias aliadas enfraqueceram completamente a influência do Irã.
Em Gaza e na Cisjordânia, o Hamas e a Jihad Islâmica, apoiados por Teerã, continuam sendo duramente atingidos pela guerra com Israel.
Além disso, importantes lideranças militares iranianas foram assassinadas nos últimos meses.
Entre elas está Mohammad Reza Zahedi, um general de alto escalão da Guarda Revolucionária, morto em Damasco durante um ataque israelense ao consulado iraniano — um episódio que provocou forte indignação em Teerã e levou ao início dos primeiros combates diretos entre os dois países.
Outros comandantes regionais ligados à Força Quds, uma unidade especial da temida Guarda Revolucionária do Irã, também foram mortos em operações de inteligência, enfraquecendo a capacidade de comando e articulação das forças aliadas.
Internamente, o regime iraniano enfrenta crescentes dificuldades.


