Roberto Sánchez ultrapassa Keiko Fujimori na contagem de votos no Peru

Candidata conservadora saiu na liderança no início da apuração, mas candidato da esquerda conseguiu alcançá-la

Da CNN Brasil*
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O candidato de esquerda Roberto Sánchez ultrapassou a conservadora Keiko Fujimori na contagem de votos da eleição presidencial no Peru. Com quase 94% das urnas apuradas nesta segunda (8), Sánchez aparecia com 8.790.560 votos, enquanto Fujimori tem 8.787.628.

As pesquisas que antecederam a eleição mostraram os dois candidatos em um empate estatístico. A nação andina espera encerrar uma década de profunda instabilidade política, durante a qual nenhum líder completou um mandato inteiro.

A candidata conservadora saiu na liderança no início da apuração, mas o candidato da esquerda conseguiu alcançá-la. Os votos da capital Lima, reduto de Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, tendem a ser contados primeiro, enquanto Sánchez já estava previsto avançar nesta reta final, à medida que as cédulas das áreas rurais são contabilizadas.

Uma contagem inicial publicada pelo instituto de pesquisas Ipsos no final do domingo (7) mostrou Sánchez liderando a corrida presidencial com 50,3%, em comparação com 49,7% de Fujimori, um empate estatístico segundo representantes da Ipsos.

Os dois candidatos avançaram para o segundo turno, após o primeiro turno em 12 de abril, com uma soma de pouco menos de 30% dos votos, com mais de dois terços dos eleitores apoiando outras opções.

Crise política

Analistas afirmam que a eleição reflete uma profunda crise de legitimidade política. O Peru elegerá seu nono presidente em uma década, após uma série de líderes terem sido destituídos do cargo ou renunciado em meio a escândalos de corrupção. Quatro ex-presidentes estão atualmente presos.

"Esta é uma eleição sem liderança sólida, com grande desconfiança no sistema eleitoral", explicou o analista político Jeffrey Radzinsky, observando que "a figura do presidente da República perdeu peso no imaginário coletivo".

Urpi Torrado, CEO da empresa de pesquisas Datum Internacional, afirmou que grande parte da votação está sendo impulsionada pela rejeição, e não pelo entusiasmo, com muitos peruanos escolhendo entre o que consideram o menos pior.

"Não há perspectivas definidas para nenhum dos candidatos", analisou ela.

Fujimori, candidata à presidência pela quarta vez, fez campanha com uma plataforma de linha dura contra o crime, evocando o legado de seu falecido pai.

Sánchez, herdeiro político do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo, atualmente preso, moderou suas propostas de reforma econômica numa tentativa de atrair eleitores de centro e tranquilizar os investidores.

O eleito herdará um Congresso fragmentado, aumento da criminalidade e uma nação onde quase metade dos cidadãos acredita que o próximo presidente também não completará seu mandato de cinco anos.