Rotina começa a voltar ao normal em Teerã, mas moradores temem ação dos EUA
Repressão violenta aos protestos fez com que Donald Trump ameaçasse realizar ataque militar

Teerã, capital do Irã, começa a mostrar sinais de retorno à normalidade, mas alguns iranianos dizem que ainda se preparam para um possível ataque dos Estados Unidos após semanas de protestos contra o regime e uma repressão brutal que deixou milhares de mortos.
Os protestos começaram em dezembro e foram motivados inicialmente pela piora das condições econômicas, mas rapidamente se espalharam por todo o país, alimentados pela insatisfação generalizada com o regime.
À medida que a repressão das autoridades iranianas à dissidência se intensificava, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou que seu governo estava considerando uma possível resposta militar, antes de indicar esta semana que seu governo iria “esperar para ver”.
Em um vídeo publicado pela Reuters, um morador de Teerã, Abolfazi, disse que o presidente dos EUA “fala muito”, mas que os iranianos não se deixariam intimidar.
“Ele busca fazer o povo iraniano se ajoelhar. Isso é um erro. Vamos enfrentá-lo com todas as nossas forças", pontuou.
Outro morador, Mohammad Haeri, disse que a vida cotidiana em Teerã estava voltando ao normal após os protestos em massa, mas as dificuldades econômicas persistiam.
“As pessoas vêm às compras um pouco mais. Mas o custo de vida em geral ainda é alto, principalmente para compras", relatou Haeri.
Pelo menos 2.400 manifestantes foram mortos na repressão aos protestos, segundo a HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos EUA. A CNN não conseguiu verificar os números da HRANA.
Em junho passado, os EUA atacaram três instalações nucleares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã. Em resposta, o Irã atacou a Base Aérea de Al-Udeid, no Catar.
Haeri disse acreditar que essa resposta foi forte o suficiente para dissuadir novos ataques.
“Demos uma resposta firme aos EUA da última vez, não acho que eles se atrevam a atacar novamente”, avaliou.


