Após Groenlândia, Rubio diz querer mais cooperação com Islândia no Ártico

Em visita oficial, Secretário de Estado dos Estados Unidos destacou posição estratégica dos islandeses para Atlântico Norte menos de um mês após acordo com a Groenlândia

David O'Sullivan e Sam Tabahriti, da Reuters
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (6) que é importante que os EUA e a Islândia continuem a cooperar em questões de segurança, descrevendo a nação nórdica como fundamental para a defesa das regiões do Atlântico Norte e do Ártico diante de ameaças crescentes.

Rubio disse que a Islândia ocupa uma posição estratégica crítica para a segurança do Ocidente e que Washington estaria aberto a explorar uma cooperação mais estreita, citando preocupações com ameaças militares, econômicas e de infraestrutura no Extremo Norte.

"Desde a Segunda Guerra Mundial, a Islândia tem permitido que as forças armadas dos EUA projetem poder e trabalhem em conjunto, usando sua terra, seu ar e seu mar, nos dando um posto avançado crucial para monitorar atividades clandestinas e impedir que nossos adversários entrem em seu território soberano e no território soberano de nossos aliados mútuos", disse.

Ele citou ameaças militares e econômicas. "Existem ameaças diretas, e essas ameaças no século XXI não são apenas militares. São também ameaças econômicas e comerciais que têm implicações na segurança nacional de nossos respectivos países."

Ele também afirmou que a Rússia deveria compartilhar mais informações sobre a morte de uma funcionária de um laboratório de pesquisa de patógenos ocorrida na semana passada — um incidente que, segundo ele, Washington está acompanhando "muito de perto".

Presença americana no Ártico

A visita de Rubio acontece semanas depois que os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia assinaram o acordo que garante a Washington o controle sobre a segurança da ilha.

O objetivo foi encerrar meses de tensão em torno do território dinamarquês autônomo, após repetidas ameaças do presidente americano, Donald Trump, de assumir o controle da região.

Aqui estão alguns dos principais componentes do acordo, que complementa um pacto de 1951 entre os EUA e a Dinamarca sobre a defesa da Groenlândia, segundo um texto publicado pelo governo dinamarquês.

Quais são os aspectos militares do acordo?

O acordo permite que os Estados Unidos estabeleçam duas novas bases militares — uma em Narsarsuaq, no sul da Groenlândia, e outra em Mestersvig, na costa leste — e expandam a Base Espacial de Pituffik, atualmente sua única base ativa na ilha.

Aeronaves e embarcações dos EUA obtêm direitos de sobrevoo, pouso e operação submarina em toda a Groenlândia, incluindo suas águas territoriais.

O acordo não especifica efetivos de tropas nem cronogramas.

Como o tratado funciona em relação à Otan?

O acordo expressa apoio a uma presença mais forte da Otan no Ártico, e a Dinamarca compromete-se a reforçar ainda mais sua própria postura de segurança na região.

Caso a ilha venha a se tornar independente, a Dinamarca e a Groenlândia devem garantir que o novo Estado permaneça na Otan, solicitando a adesão, se necessário.

Países que não são membros da aliança estão proibidos de manter uma presença militar permanente na Groenlândia.

Que direitos a Groenlândia possui?

O acordo afirma respeitar o direito da Groenlândia à autodeterminação. Nos termos do acordo, os EUA devem agir de maneira a respeitar a sociedade e o modo de vida groenlandeses.

Quais os aspector econômicos do acordo?

O acordo não aborda interesses ou investimentos dos EUA no setor de mineração e recursos da Groenlândia.

O acordo proíbe que investidores de fora dos Estados-membros da Otan, de parceiros da aliança ou da União Europeia tenham controle ou influência significativa sobre setores sensíveis na Groenlândia.

A Groenlândia analisará os investimentos para garantir o cumprimento dessas regras.

O que acontece agora?

Os parlamentos da Groenlândia e da Dinamarca devem aprovar o acordo antes que ele entre em vigor.

O pacto não tem data de término e só pode ser alterado mediante consentimento mútuo.