Rubio pede isolamento da Nicarágua após reforma constitucional

Secretário de estado Marco Rubio apelou a parceiros internacionais após reforma que proíbe oposição e estende mandato presidencial de Daniel Ortega

Bhargav Acharya e Daphne Psaledakis, da Reuters
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O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos "apelam aos parceiros internacionais a interromperem imediatamente as operações 'como de costume' com o governo da Nicarágua" em comunicado divulgado nesta quarta-feira (2).

Ele acrescentou que Washington continua comprometida em combater as violações dos direitos humanos cometidas pelo governo.

As declarações de Rubio foram feitas depois que o Congresso da Nicarágua aprovou, na terça-feira (1º), uma reforma constitucional que proíbe os partidos da oposição de participarem das eleições e estende o mandato presidencial de seis para sete anos — uma iniciativa que já havia gerado críticas dos Estados Unidos.

Diversos países da América Central, assim como Bolívia, Brasil e Chile, também se posicionaram contra o anúncio de Ortega, considerando-o um novo retrocesso democrático, enquanto o Panamá retirou seu embaixador de Manágua.

Juan Sebastián Chamorro, ex-candidato à presidência e opositor do regime do Nicarágua, classificou a reforma eleitoral como "um ato para oficializar duas coisas que [o regime] perdeu: legitimidade e tempo". Chamorro, que está exilado nos Estados Unidos, se pronunciou nas redes sociais.

 

 

Reforma eleitoral

O Congresso da Nicarágua aprovou na terça-feira (1º de setembro) uma reforma constitucional que proíbe partidos de oposição de participarem das eleições e estende o mandato presidencial de seis para sete anos, uma iniciativa que anteriormente havia atraído críticas dos Estados Unidos e de outros países da região.

A reforma, apoiada pelos copresidentes Daniel Ortega e sua esposa Rosario Murillo, passou pela primeira votação na Assembleia Nacional. Murillo anunciou na segunda-feira que a emenda será ratificada em uma segunda votação a partir de 18 de janeiro, já que a lei nicaraguense exige que as alterações constitucionais sejam aprovadas por duas sessões legislativas distintas antes de entrarem em vigor.

A reforma também estende os mandatos dos copresidentes e de outros funcionários eleitos, bem como dos chefes do exército e da polícia, de seis para sete anos.

Em 19 de julho, Ortega declarou publicamente que "não haverá mais eleições" na Nicarágua para impedir que a oposição "tome o governo" novamente.