Trump fará discurso do Estado da União sob forte ceticismo e desafios

Presidente enfrenta baixa aprovação e série de dificuldades enquanto busca convencer americanos sobre sua política econômica

Adam Cancryn, da CNN
Compartilhar matéria

O presidente Donald Trump terá, na noite de terça-feira (24), sua oportunidade de maior visibilidade para convencer os americanos céticos de que suas políticas estão funcionando — e de que a prometida "era de ouro econômica" está logo ali.

Mas, antes do discurso do Estado da União, destinado a marcar o início não oficial da campanha para as eleições de meio de mandato, até mesmo Trump parecia não estar convencido de que conseguiria mudar muitas opiniões.

“Se eu encontrasse a cura para o câncer, eles diriam que eu deveria ter feito isso anos atrás”, reclamou durante um evento na Casa Branca na segunda-feira (23). “Não há nada que eu possa fazer para que essas pessoas me deem crédito.”

O discurso em horário nobre acontece em meio a um período particularmente problemático para o presidente, que enfrenta uma série de desafios internos e questões urgentes no exterior.

Nas pesquisas, Trump está tão impopular quanto sempre, afetado pela ansiedade dos americanos com o custo de vida e pela insatisfação com sua forma de lidar com isso. Sua aprovação de 36% é inferior aos 48% de fevereiro passado, de acordo com uma pesquisa da CNN divulgada na segunda-feira que mostrou sua menor taxa de aprovação entre os independentes: apenas 26%.

A administração está tendo dificuldades para divulgar ao público seus principais feitos ou gerar impulso no Congresso para suas ambições futuras.

Ao mesmo tempo, Trump, que se proclamou o “presidente da paz”, está considerando ainda mais ataques a uma nação estrangeira.

Depois há a condução desordenada da administração dos arquivos de Jeffrey Epstein, a paralisação parcial do governo, a reação negativa à repressão à imigração no estado de Minnesota que levou aos tiros fatais de dois cidadãos americanos e — em uma reviravolta em momento inoportuno para Trump — a decisão da Suprema Corte invalidando as tarifas que estão no centro da agenda econômica da Casa Branca.

Esses ventos contrários formaram um pano de fundo sombrio para um discurso que os aliados e conselheiros de Trump esperam que ele use para reunir os americanos em torno de uma visão otimista para o país, embora temam que ele fique atolado no estilo de ajuste de contas e queixas característico do presidente.

“Trump tem apenas uma nota, que é a raiva”, disse Matthew Bartlett, estrategista do Partido Republicano e funcionário de primeira gestão sob Trump. “Não tenho certeza de que isso vá de alguma forma mudar, ou que ele encontre algum tipo de tom perfeito para o trabalhador americano.”

Promovendo o “grande e belo projeto de lei”

Antes do discurso de terça-feira, assessores da Casa Branca têm se concentrado em uma abordagem mais equilibrada para as eleições de meio de mandato, que combina a divulgação das conquistas de Trump em seu primeiro ano com a apresentação de uma agenda agressiva que ainda está por vir.
Pessoas familiarizadas com as discussões internas afirmaram que os desafios políticos do presidente são, principalmente, um problema de comunicação, tornando o Estado da União uma das várias oportunidades-chave para mudar a percepção dos americanos sobre sua agenda e a economia como um todo.
inglês