Rússia diz não estar otimista com as negociações com EUA sobre crise na Ucrânia

"Infelizmente, temos uma grande diferença em nossas abordagens”, disse o vice-chanceler russo, Sergei Ryabkov

Vice-secretária de Estado dos Estados Unidos, Wendy Sherman, e o vice-chanceler russo, Sergei Ryabkov, em Genebra
Vice-secretária de Estado dos Estados Unidos, Wendy Sherman, e o vice-chanceler russo, Sergei Ryabkov, em Genebra Reuters/reprodução

Dmitry AntonovGabrielle Tetrault-FarberMark TrevelyanPeter Graffda Reuters

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O Kremlin disse nesta terça-feira (11) que não vê motivos para otimismo após uma primeira rodada de negociações com os Estados Unidos sobre a crise na Ucrânia.

A Rússia faz exigências para que países do Ocidente ofereça garantias de segurança ao país governador por Vladimir Putin para que as tensões sejam amenizadas.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse ser positivo, no entanto, que as negociações de segunda-feira (10) em Genebra tenham sido realizadas de forma transparente e direta.

Ele disse que a Rússia não estava estabelecendo prazos, mas não ficaria satisfeita com um “arrastar interminável desse processo”.

A Rússia reuniu tropas perto da fronteira com a Ucrânia e exigiu que a aliança liderada pelos Estados Unidos não admita a Ucrânia como membro da Otan.

Os russos veem a adesão da Ucrânia como uma expansão das potências ocidentais para o leste. Uma eventual integração do país, que pertenceu à União Soviética, com a Otan abriria a possibilidade para que os Estados Unidos estabelecessem suas forças militares americanas às portas da Rússia.

Resistência americana

Washington disse que não pode aceitar essas demandas apresentadas pela Rússia, embora esteja disposto a se engajar em outros aspectos das propostas. O país pretende discutir a instalação de mísseis na fronteira com a Rússia e a imposição de limites em exercícios militares.

Peskov disse que a situação ficará mais clara após mais duas rodadas de negociações que a Rússia deve realizar esta semana – com a Otan em Bruxelas na quarta-feira (12) e na Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em Viena na quinta-feira (13).

Os negociadores russos e norte-americanos não deram sinais de que estão encontrando uma saída conjunta após a primeira reunião em Genebra.

“Infelizmente, temos uma grande diferença em nossas abordagens”, disse o vice-chanceler russo, Sergei Ryabkov, em entrevista coletiva na segunda-feira. “Os Estados Unidos e a Rússia, de certa forma, têm visões opostas sobre o que precisa ser feito”.

A vice-secretária de Estado dos Estados Unidos, Wendy Sherman, disse: “Fomos firmes… em rejeitar propostas de segurança”. Segundo Sherman, as propostas apresentadas pela Rússia “simplesmente não são para os Estados Unidos”.

Os americanos estão solicitando aos russos que recuem na pressão militar que estão exercendo na fronteira com a Ucrânia, onde Putin estabeleceu cerca de 100 mil soldados.

A reunião de tropas russas na região fronteiriça provocou preocupações na Ucrânia e nas potências ocidentais sobre uma possível nova invasão, oito anos depois de a Rússia ter tomado a Crimeia da Ucrânia.

Ryabkov garantiu que a Rússia não tem intenção de atacar a Ucrânia.

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