Putin critica sanções comerciais na véspera de visita à China
Rússia e a China se opuseram conjuntamente às sanções "discriminatórias" no comércio global, afirmou o presidente russo em entrevista à agência estatal chinesa

Na véspera de uma visita à China, o líder russo Vladimir Putin criticou as sanções ocidentais, enquanto a economia de seu país oscilava à beira da recessão, afetada pelas restrições comerciais e pelo custo da guerra contra a Ucrânia.
A Rússia e a China se opuseram conjuntamente às sanções "discriminatórias" no comércio global, disse Putin em entrevista por escrito à agência de notícias oficial chinesa Xinhua, publicada neste sábado (30), horário local.
Putin estará na China, o maior parceiro comercial da Rússia, de domingo (31) a quarta-feira (3), em uma visita de quatro dias que o Kremlin chamou de "sem precedentes".
O líder russo participará primeiro da cúpula de dois dias da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), na cidade portuária de Tianjin, no norte da China. A OCS, focada em segurança, fundada por um grupo de nações eurasianas em 2001, expandiu-se para 10 membros permanentes, que agora incluem Irã e Índia.
Putin viajará então a Pequim para conversar com o presidente chinês, Xi Jinping, e participará de um grande desfile militar na capital chinesa, em comemoração ao fim da Segunda Guerra Mundial, após a rendição formal do Japão.
No início de maio, Xi participou de um desfile militar na Praça Vermelha de Moscou, marcando o 80º aniversário da vitória da União Soviética e seus aliados sobre a Alemanha nazista. Foi a 11ª visita de Xi ao vizinho da China desde que se tornou presidente, há mais de uma década.
A Rússia tem sido atingida por múltiplas rodadas de sanções ocidentais após a invasão da Ucrânia em 2022. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que poderia impor sanções "maciças" à Rússia, dependendo da possibilidade de progresso em sua tentativa de garantir um acordo de paz.
"Em resumo, a cooperação econômica, o comércio e a colaboração industrial entre nossos países estão avançando em diversas áreas", disse Putin sobre a China, que o Ocidente acusa de apoiar a chamada operação militar especial da Rússia na Ucrânia.
"Durante minha próxima visita, certamente discutiremos novas perspectivas de cooperação mutuamente benéfica e novas medidas para intensificá-la em benefício dos povos da Rússia e da China", acrescentou o líder russo.
Quando os países ocidentais romperam laços com a Rússia após Moscou lançar sua invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, a China veio em seu socorro, comprando petróleo russo e vendendo produtos que vão de carros a eletrônicos, o que elevou o comércio bilateral a um recorde de US$ 245 bilhões em 2024.
A China era de longe o principal parceiro comercial da Rússia em volume, e as transações entre os países eram quase totalmente realizadas em rublos e yuans, disse Putin.
A Rússia era um dos principais exportadores de petróleo e gás para a China e os dois lados continuavam os esforços conjuntos para reduzir as barreiras comerciais bilaterais, acrescentou.
"Nos últimos anos, a exportação de carne suína e bovina para a China foi lançada. De modo geral, produtos agrícolas e alimentícios ocupam um lugar de destaque nas exportações da Rússia para a China", disse ele.
Ele não mencionou as acusações da UE de apoio chinês à guerra da Rússia na Ucrânia, que o bloco descreve como uma séria ameaça à segurança europeia. A China nega as alegações.
Putin e Xi declararam uma parceria estratégica "sem limites" em 2022. Os dois se encontraram mais de 40 vezes na última década.
Procurado pelo Tribunal Penal Internacional por acusações de crime de guerra de deportação ilegal de centenas de crianças da Ucrânia, Putin viajou pela última vez à China em 2024.


