Rússia lança onda de mísseis e mata ao menos 32 pessoas na Ucrânia

Ataques com drones e projéteis balísticos atingiram prédios residenciais e a infraestrutura energética do país. Míssil russo destruiu completamente um prédio residencial de cinco andares

Da Reuters
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A Rússia atacou a Ucrânia com ondas de mísseis e drones nesta quarta-feira (7), afirmou o presidente Volodymyr Zelensky, deixando pelo menos 32 mortos, incluindo crianças, além de causar danos a instalações industriais e à infraestrutura energética.

O maior número de vítimas foi registrado em Pryluky, na região de Chernihiv, no norte da Ucrânia, onde um míssil russo destruiu completamente um prédio residencial de cinco andares.

O serviço de emergência da Ucrânia informou no Telegram que o número de mortos em Pryluky subiu para 22 na manhã desta quinta-feira (8) e que outros dois corpos foram encontrados após um ataque aéreo russo contra um prédio de apartamentos na capital, Kiev, elevando para quatro o total de mortos na cidade.

O ministro do Interior, Ivan Vyhivskyi, havia informado anteriormente que o número de mortos em todo o país era de 28, incluindo 20 pessoas que morreram no ataque em Pryluky, entre elas cinco crianças. Na noite de quarta-feira, promotores em Kiev disseram que a queda de destroços de um drone matou duas pessoas em um subúrbio.

Zelensky afirmou que 100 pessoas ficaram feridas em todo o país.

O presidente ucraniano acrescentou que o ataque ocorreu no mesmo dia do aniversário do presidente russo, Vladimir Putin.

“Esse foi o tipo de presente de aniversário que Putin deu a si mesmo: a morte de crianças e de pessoas”, disse Zelensky.

Em comentários publicados anteriormente nas redes sociais, Zelensky disse que civis também foram mortos na capital, Kiev, e nas cidades de Oleksandria e Kremenchuk, na região central do país, durante o ataque em larga escala.

Ao todo, a Rússia lançou 70 mísseis contra a Ucrânia durante a noite — muitos deles munições balísticas de alta velocidade — e dezenas de drones de ataque Shahed, afirmou o presidente.

“Os russos queriam atacar de forma dolorosa e ostensiva. Este foi um dos ataques mais vis.”

Em Pryluky, uma escavadeira e dezenas de socorristas com pás vasculhavam os escombros no local onde várias partes do prédio residencial haviam desabado.

Equipes de emergência usaram escadas para chegar aos andares superiores do que restou do edifício e retiraram 15 sobreviventes enquanto avançavam pelos escombros. Cerca de 55 pessoas ficaram feridas na cidade, segundo autoridades regionais.

“Há muita destruição, especialmente no centro da cidade”, disse Danylo Savenko, vice-prefeito de Pryluky, que afirmou ter corrido para um abrigo antiaéreo com a mulher assim que ouviu os mísseis sobrevoando a região.

Aumento nas interceptações de drones

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças realizaram um “ataque em larga escala” contra instalações do complexo industrial-militar em Kiev e em outras regiões da Ucrânia, utilizando armas de alta precisão lançadas de terra, mar e ar, além de drones.

A Força Aérea da Ucrânia afirmou ter derrubado pouco mais de 80% dos 46 drones movidos a jato lançados pela Rússia — um aumento em relação às últimas semanas, quando as defesas aéreas interceptaram entre 50% e 60% dos aparelhos.

Desde o verão, a Rússia tem usado quantidades crescentes dos novos drones de alta velocidade em ataques ininterruptos contra Kiev e outras cidades, enquanto as defesas aéreas ucranianas enfrentam dificuldades para lidar com a ofensiva.

A Força Aérea não explicou o aumento na taxa de interceptação e não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.

Zelensky afirmou que os mísseis balísticos russos continuam sendo o principal desafio para a Ucrânia e acrescentou que ele e sua equipe estão “todos os dias procurando sistemas Patriot (de interceptação de mísseis) que podem e devem proteger a vida das pessoas”.

A Ucrânia recebeu na quarta-feira uma nova parcela de US$ 1,34 bilhão da União Europeia e destinará os recursos às necessidades de defesa, afirmou o primeiro-ministro Sergii Koretskyi.

O sistema Patriot, fabricado nos Estados Unidos, é a única arma do arsenal ucraniano capaz de interceptar mísseis balísticos de alta velocidade. Os estoques globais foram reduzidos pela guerra no Irã e pelo conflito na Ucrânia.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que entre seus alvos estavam instalações onde a empresa ucraniana de defesa Fire Point fabrica e armazena seus mísseis de cruzeiro Flamingo e drones de médio e longo alcance em Kiev, além de instalações nas regiões de Kiev, Chernihiv, Kirovohrad, Dnipropetrovsk, Poltava e Kharkiv.

Na semana passada, Zelensky afirmou que a Ucrânia havia lançado seu primeiro míssil balístico de fabricação nacional em combate, produzido pela Fire Point. Em uma entrevista à Reuters, ele disse esperar que a empresa tenha um míssil FP-9 de maior alcance pronto até o outono. A Fire Point afirmou que a arma será capaz de atingir Moscou.

Moradores se abrigam no metrô de Kiev

Zelensky afirmou que tropas ucranianas atingiram quatro alvos na Rússia nas últimas 24 horas, incluindo duas instalações petrolíferas russas e um campo de treinamento nas regiões de Perm, Samara e Astrakhan.

Na entrevista à Reuters, Zelensky disse que a Ucrânia atacaria instalações de energia russas em resposta à escalada dos ataques de Moscou contra a infraestrutura civil.

Autoridades ucranianas e a inteligência militar divulgaram alertas sobre os ataques que se aproximavam na quarta-feira, e muitos moradores de Kiev buscaram abrigo nas estações subterrâneas do metrô da cidade.

Várias explosões fortes ecoaram pela capital durante a noite.

Na parte da região de Kherson, no sul da Ucrânia, sob controle russo, o governador regional instalado pela Rússia afirmou que um drone ucraniano matou dois civis que estavam em um carro. Autoridades instaladas pela Rússia em áreas da região de Donetsk, no leste do país, sob controle de Moscou, disseram que três pessoas morreram em ataques ucranianos.