Rússia diz que anunciará novo embaixador no Reino Unido “no devido tempo”

Moscou também ameaça resposta “devastadora” a ações hostis no Báltico e critica presença de mísseis americanos no Japão

Dmitry Antonov, Olesya Astakhova e Vladimir Soldatkin, da Reuters
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A Rússia afirmou nesta terça-feira (1º) que anunciará “no devido tempo” um novo embaixador no Reino Unido, semanas após a saída do representante anterior em Londres, em meio a um período de forte tensão nas relações entre os dois países.

Andrei Kelin deixou o cargo em julho, depois de mais de sete anos como embaixador. A saída provocou especulações na imprensa de que Moscou estaria rebaixando o nível das relações diplomáticas com o Reino Unido, hipótese negada pela embaixada russa.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que a nomeação de um novo embaixador é prerrogativa do presidente Vladimir Putin e que o processo de escolha não é uma questão pública.

Segundo Zakharova, Kelin permaneceu no cargo durante um período extremamente difícil, “diante dos esforços britânicos para desmantelar completamente as relações bilaterais”.

O Reino Unido é um dos principais aliados da Ucrânia e fornece ao país armas, incluindo mísseis e drones. No mês passado, a Rússia advertiu que Londres enfrentaria “consequências” não especificadas pelo fornecimento de drones usados pela Ucrânia para atacar território russo.

Ameaça no Báltico

Também nesta terça-feira, Zakharova afirmou que a Rússia dará uma resposta “devastadora” a qualquer ação hostil contra o país na região do Báltico.

“Em caso de uma nova escalada da situação político-militar na região do Báltico, é preciso enfatizar mais uma vez: a resposta da Rússia aos responsáveis por iniciativas imprudentes contra a Rússia será decisiva. E eles precisam saber disso — será devastadora para eles”, disse a porta-voz a jornalistas durante entrevista coletiva semanal.

A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre a Rússia e países ocidentais, especialmente aliados da Ucrânia.

Moscou também afirmou nesta terça-feira que a instalação de mísseis americanos Typhon no Japão, mesmo para exercícios militares, é inaceitável e representa uma ameaça à segurança russa.

Zakharova pediu que o Japão retome uma política de pacifismo e criticou os exercícios conjuntos entre Japão, Estados Unidos e Austrália, previstos para ocorrer de 8 a 24 de setembro, incluindo treinamentos em Hokkaido, região próxima à fronteira russa.