Se Putin não quiser cooperar, EUA e outros países vão ‘responder’, diz Biden

Presidente dos EUA tem encontro marcado com Vladimir Putin nesta quarta-feira (16), em Genebra, na Suíça

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo

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Em discurso na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nesta segunda-feira (14), em Bruxelas, na Bélgica, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que os líderes reunidos aprovaram uma política de defesa cibernética e que, embora não estivesse buscando conflito com a Rússia, ele e outros países “responderiam” se Moscou “continuasse suas atividades prejudiciais”.

Na avaliação de Biden, tanto a Rússia quanto a China tentam dividir a Otan. “Estamos enfrentando uma crise de saúde global que ocorre uma vez a cada século, ao mesmo tempo em que os valores demográficos subjacentes estão sob pressão crescente, tanto interna quanto externamente. A Rússia e a China estão tentando criar uma barreira em nossa solidariedade transatlântica”, disse.

O democrata, que tem um encontro marcado com Vladimir Putin nesta quarta-feira (16), ressaltou, no entanto, que o presidente russo é “brilhante, resistente e um adversário digno”. Segundo Biden, todos os líderes mundiais o agradeceram pelo encontro com Putin.

O presidente dos EUA também comentou a situação do oposicionista do Kremlin Alexei Navalny — agora preso na Rússia — e avaliou que a morte dele seria uma tragédia, além de prejudicar as relações russas com o resto do mundo e com os Estados Unidos.

“A morte de Navalny seria outra indicação de que a Rússia tem pouca ou nenhuma intenção de respeitar os direitos humanos fundamentais básicos, seria uma tragédia, não faria nada além de prejudicar as relações com o resto do mundo, e comigo”, afirmou.

Biden confirmou que apoia a soberania da Ucrânia e que vai fazer de tudo para colocar o país em posição para resistir aos avanços da Rússia. O democrata, porém, ressaltou que os ucranianos precisam erradicar a corrupção no país e atender a outros critérios para ingressar na Otan.

“O fato é que eles ainda precisam lutar contra a corrupção”, disse Biden. “Enquanto isso, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para colocar a Ucrânia em posição de resistir à agressão russa”.

Conversas com a Turquia

Antes da coletiva de imprensa, Biden se reuniu com o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, e afirmou que a conversa foi “positiva e produtiva”. De acordo com o democrata, as equipes dos dois presidentes vão trabalhar em conjunto par definir os detalhes do que ficou acertado na reunião.

“Estou confiante de que faremos progressos reais”, disse Biden.

Erdogan também concedeu entrevista coletiva e afirmou que ele e o presidente dos EUA não têm problemas que não possam ser resolvidos. O turco, no entanto, não entrou em detalhes sobre o maior impasse entre os dois países: a compra de mísseis russos pela Turquia.

“Vemos que existe uma grande vontade de iniciar um período de cooperação eficiente baseado no respeito mútuo em todas as áreas”, comentou Erdogan. “Achamos que não há problemas nos laços Turquia-EUA que não têm solução”.

Retirada das tropas americanas do Afeganistão

Joe Biden voltou a anunciar a retirada das tropas americanas do Afeganistão e afirmou que a medida é um “compromisso diplomático” com o povo afegão. 

O democrata, porém, reforçou que continuará lutando contra o terrorismo para assegurar que o país do oriente médio não volte a ser um refúgio seguro para quem ataca os países ocidentais.

Ainda segundo o presidente dos EUA, há um consenso entre a cúpula da Otan sobre a questão da retirada das tropas.

Combate à Covid-19

Biden lamentou que os EUA estejam se aproximando da marca de 600.000 morte em decorrência da Covid-19 e fez uma pelo para que os americanos se imunizem contra a doença.

“É por isso que continuo dizendo: se você não foi vacinado, vacine-se, seja vacinado o mais rápido possível. Não é hora de baixar a guarda”, reforçou.

Biden discursa na Otan
Foto: Stephanie Lecocq/Pool/AFP/Getty Images

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