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    Se você ganhou peso durante a pandemia, saiba o que fazer sobre isso

    Apesar do confinamento em casa, especialista mostra algumas dicas para aumentar o metabolismo, corrigir hábitos ruins e perder quilos

    Foto: Reprodução/I yunmai/ Unsplash

    Por Ada Wood e Naomi Thomas, da CNN

    Algumas pessoas ganharam peso durante o confinamento em casa por causa da Covid-19, em março e abril do ano passado, de acordo com um artigo publicado pela revista científica JAMA, na segunda-feira (22).

    Nos EUA, de 19 de março a 6 de abril de 2020, 45 dos 50 governos estaduais emitiram ordens de confinamento para retardar a disseminação do novo coronavírus.

    O estudo analisou, entre 1º de fevereiro e 1º de junho de 2020, aproximadamente 7.500 medições de peso de 269 participantes por meio de balanças inteligentes conectadas por Bluetooth.

    “Em média, eles ganharam cerca de 0,6 libra (272 gramas) a cada 10 dias ou 1,8 libra (816 gramas) por mês durante o confinamento em casa”, disse o cardiologista Gregory Marcus, um dos autores da pesquisa e professor de medicina da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

    Ganho de peso na pandemia

    A pesquisa descobriu que este ganho de peso ocorreu independentemente da localização geográfica ou comorbidades. Segundo os autores, a implementação do isolamento social também correspondeu a uma diminuição na contagem de passos diários e aumento na ingestão excessiva de alimentos.

    Esses dois fatores correspondentes acompanham o que os especialistas acreditam estar por trás do aumento no ganho de peso durante a pandemia. A contribuidora de saúde e nutrição da CNN, Lisa Drayer, considera o conforto alimentar, especificamente, um problema neste período estressante.

    Durante um confinamento, muitos optaram por alimentos com alto teor calórico, como doces ou
    pizza, para aliviar o estresse quando não há mais nada para fazer ou desejar. Além disso, trabalhar em casa permite que a cozinha esteja ao alcance o dia todo.

    Assim como a pandemia mudou os hábitos alimentares, ela também teve um impacto na rotina deexercícios, segundo Caroline Apovian, codiretora do Centro de Controle de Peso e Bem-Estar do Hospital Brigham and Women’s, em Boston.

    Com as academias fechadas e a falta de atividade física diária básica – como andar do
    estacionamento até o escritório –, algumas pessoas simplesmente não estão fazendo o mesmo nível de exercício que faziam antes da pandemia.

    Se você está lendo isso pensando em seus próprios hábitos nada ideais adquiridos no ano passado, Drayer diz que não é hora de se culpar.

    “Definitivamente, dê um tempo para você”, pontua. “Comer é um dos prazeres da vida, e a
    pandemia foi tão estressante que é compreensível que comemos com mais frequência e maior
    quantidade as nossas comidas reconfortantes favoritas”.

    No entanto, os autores do estudo avaliam que é importante reconhecer as consequências não
    intencionais para a saúde com o confinamento. Os resultados mostram que há uma necessidade de estratégias para mitigar o ganho de peso à medida que os governos locais consideram suas respostas à Covid-19 e futuras pandemias.

    De acordo com Drayer, se esse ganho de peso for significativo e permanente, pode haver
    implicações mais amplas para a sociedade.

    “Isso significa que existem outras consequências não intencionais para a saúde associadas a
    pandemia que podem complicar uma situação já arriscada”, disse.

    Para os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, isso ocorre porque ser obeso ou
    com sobrepeso pode aumentar o risco de doenças graves causadas pela Covid-19, triplicando
    potencialmente a chance de hospitalização.

    Como lidar com o ganho de peso

    O artigo, contudo, teve suas limitações. O tamanho da amostra foi pequeno e não diversificado: dos 269 participantes, 77% eram brancos.

    “O fato de serem [na maioria] brancos significa apenas que se você olhar para uma população com diversidade racial, os resultados serão piores”, disse Apovian. Isso porque a obesidade é mais prevalente em diferentes raças.

    A confiança do estudo em medidas de peso via Bluetooth leva a uma redução no tamanho geral da amostra, que é outra limitação apontada pelos autores.

    Para os pesquisadores, as características das pessoas que possuem essas balanças – que já estão monitorando seu peso e prestando atenção à sua saúde – podem limitar a extensão em que os resultados serão aplicados a outros ambientes. Mas eles dizem que seguem os indivíduos com o tempo, sendo que a avaliação das mudanças de peso durante o confinamento diminui a ameaça à validade interna.

    “O que observamos pode ser, na verdade, uma subestimação da magnitude do ganho de peso que a maioria das pessoas experimentou. No mínimo, essas pessoas estão especialmente interessadas em saúde e pesquisa”, disse Marcus.

    Com tudo isso em mente, Drayer afirma que existem etapas que você pode seguir para aumentar o metabolismo, corrigir hábitos ruins e perder alguns quilos, mesmo durante uma pandemia:

    1. Consumir refeições pequenas e frequentes. Faça três refeições e três lanches por dia, com
    intervalos de três a quatro horas. Nunca pule refeições; mantenha lanches portáteis à mão para
    quando você estiver muito ocupado para parar e comer. Tente ser consistente com os horários das refeições e lanches.

    2. Inclua proteína em seu prato: Procure incluir pelo menos 85 gramas de proteína por refeição. Para a saber a porção correta, visualize o tamanho de um mouse de computador ou de um baralho de cartas.

    3. Gradualmente, comece a levantar pesos: O levantamento de peso leve o ajudará a preservar a massa muscular, aumentar o metabolismo e tonificar enquanto você perde peso.

    4. Comece a caminhar: Uma caminhada rápida por pelo menos 30 minutos por dia irá acelerar seu metabolismo e ajudá-lo a queimar calorias extras.

    5. Encontre alternativas para aliviar o estresse: Às vezes, você pode querer satisfazer seu desejo por doces, mas, muitas vezes, um banho quente ou uma caminhada ao redor do quarteirão pode ser igualmente aliviar o estresse.

    Apovian espera que, no mínimo, os norte-americanos aprendam a importância de lidar com a
    obesidade.

    “Isso traz à tona a questão de que seu peso muda em um ambiente diferente. E não é sua culpa, é porque [a obesidade é] uma doença. E a doença da obesidade é uma disfunção das conexões cerebrais com os hormônios que controlam seu apetite e saciedade”, explicou.

    “[O estudo] mostra que a doença pode piorar se você tiver muita comida por perto ou não fizer
    muito exercício ou ficar em casa. Fala do fato de que não é uma questão de força de vontade”.

    (Texto traduzido; leia o original em inglês)